Travessuras de mãe
Travessuras de mãe eu li tem já uns anos, mas resolvi recuperá-lo agora por motivos distintos, mas interligados.
Primeiro porque o tema gravidez tem estado muito próximo e, de tempos em tempos, me surpreendo emocionada com alguma notícia do desenvolvimento da que vai ser a primeira pequetucha a nascer no meu grupo de amigos. A primeira mensagem que recebi falando do tamaninho dela e das batidas do coração, que já estava lá, firme e forte, fui tomada de arrombo por um sentimento de esperança que na hora não consegui racionalizar e explicar, mas que agora começo a conseguir entender.
Quem será a próxima?
E aí entra o segundo motivo deu escolher falar desse livro, neste momento. Entendi que grande parte da minha emoção vinha da esperança de que esta geração que estava começando ali na barriga da minha grande amiga poderia ser uma sem o mesmo grande número de babacas que tenho visto na minha. Esperança de tentar mostrar para ela, a pequetucha, que todo mundo é igual e tem os mesmos direitos – e obrigações, claro! Mostrar que ela pode escolher o rosa ou o azul, o carrinho ou a boneca e, por que não, o cruzeiro ou o atlético (cruzeiro, cruzeiro, por favor!), porque mesmo que ela faça uma escolha que não a minha, vou contar para ela que as pessoas devem ser respeitadas independente de suas opções, desde que não fira os direitos de ninguém (e que ela pode, inclusive, escolher os dois!).
Claro que, quando digo “vou”, quero dizer “vamos”, porque ela já tem uma fila de tias e tios (não estou menosprezando o papel dos pais, mas é que eles vão ter que aprender a compartilhar a pequena) prontos para incuti-la nos mais variados temas. O que ela vai escolher vai depender dela, mas não faltarão oportunidades para que ela se torne poliglota, fã de cinema, leitora ávida, craque de bola ou exímia dançarina.
Que ela saiba que nada é impossível de mudar e que nada deve parecer natural.
Já anseio pelos anos em que ela estará maiorzinha e que ficará espantada em saber que houve uma época em que pessoas eram discriminadas por sua cor, opção sexual, pela profissão que desempenhavam e, pasmem, pela região em que moravam ou religião que professavam! E que, quando ficar um pouquinho mais velha, rirá quando souber que um dia pensaram que reduzir a maioridade penal era a solução para os problemas da falta de escola e oportunidades de lazer, entre outras negações dos direitos básicos dos jovens.
Porque por mais que às vezes eu demonstre meu pessimismo em relação a esse mundo cagado em que vivemos (sim, mundo, não vem com esse papinho de que tudo é ruim só no Brasil que essa síndrome de vira-lata já cansou), eu acredito na pessoas. Eu ainda acredito que as pessoas podem mudar e, por sua vez, mudar as instituições nas quais trabalham, vivem e circulam.
Bom, e por que mesmo lembrei de Travessuras de mãe nesse momento? Porque é um livro fofo da Denise Fraga que reúne dezenas de crônicas, publicadas anteriormente na revista Crescer. Lá ela conta diversas situações pelas quais passou com os filhos Nino e Pedro. E porque ela lida com muita leveza com os percalços de ensinar uma criaturinha nova a se encaixar, se ambientar e se impor nesse mundo doido, sem deixar de transformá-lo quando necessário. Ah, e também porque, apesar de tudo que desenrolei nos parágrafos acima, são os filhos também que nos mostram o óbvio que às vezes esquecemos ou nunca vimos: “Filho faz você pensar muito. Você pensa na vida, no que você vai ser, no que eles vão ser, na melhor maneira de cumprir sua missão por aqui. […] O que sei é que é sensacional ter crianças em casa. Eles nos restabelecem a lógica. Nós vamos fazendo curvas e eles nos põem na reta, nos ajeitam o pensamento”.
Quem? Denise Fraga
Quando? 2010
páginas? 237
2666
Acho bem impossível definir do que se trata 2666. São 848 páginas dividas em 5 grande capítulos que, apesar de terem alguma ligação entre si, poderiam muito bem ter formado cinco livros completamente distintos. Aliás, essa era uma questão para Roberto Bolaño quando o escreveu e principalmente para os editores que publicaram a obra após a morte do escritor. O autor morreu deixando o primeiro rascunho do livro todo pronto, mas com algumas importantes definições a serem feitas. Uma delas: dividir ou não o livro em cinco.
Fiquei feliz com a decisão de mantê-lo como um único e grande livro de fôlego. Sim, foi bem cansativo passar por todas as suas partes direto, sem pausas. Quase um mês de leitura árdua, porém prazerosa. Mas o que me faz crer que a decisão foi mesmo acertada é pensar que dos autores atuais, quem tem se arriscado em grandes e pretensiosas obras? Claro que as narrativas curtas têm seu lugar de destaque e valor, mas as grandes empreitadas têm sido deixadas de lado. Devem existir, claro, mas, assim, de cabeça, não consigo pensar em nenhuma obra recente que ultrapasse a marca das 800 páginas. Vá lá, 700. Alguém?
“ magro, ansioso, leitor voraz de livros e pouco promissor. Era uma criança disléxica a quem os colegas de escola maltratavam e o faziam sentir um estranho”. Assim era Bolaño quando jovem, segundo ele mesmo
O próprio autor faz uma espécie de…piada?, crítica?, sobre isso por meio da fala de um personagem que questiona um farmacêutico que prefere as narrativas breves e redondas, como Bartleby, o escrivão e A metamorfose, em detrimento das obras extensas, ambiciosas e atrevidas, como Moby Dick e O processo. “Que triste paradoxo, pensou Amalfitano. Nem mais os farmacêuticos ilustrados se atrevem a grandes obras, imperfeitas, torrenciais, as que abrem caminhos no desconhecido. Escolhem os exercícios perfeitos dos grandes mestres em sessões de treino de esgrima, mas não querem saber dos combates de verdade, nos quais os grandes mestres lutam contra aquilo, esse aquilo que atemoriza todos nós, esse aquilo que acovarda e põe na defensiva, e há sangue e ferimentos mortais e fetidez”.
Esse “aquilo” a que se refere Bolaño por meio de seu personagem em 2666 eu acredito que está em falta em quase todas as áreas, não só nos livros. Fruto da rapidez e da agilidade e da impossibilidade da perda de tempo da era moderna? Talvez. Fato é que as pessoas não têm tempo para se lançar em aventuras extensas e ambiciosas que podem não render frutos financeiros ou que não valham a pena serem colocadas no currículo.
Quem hoje em dia teria tempo para pintar uma Capela Cistina? Pra construir uma Pirâmide monumental? Terminar uma Sagrada Família? Ocorre que muitas vezes começar uma empreitada grandiosa dessas significa correr o risco de não presenciar sua conclusão. Que o diga Gaudí, os faráos (vou fazer uma abstração literária sobre os milhares de escravos que devem ter morrido na construção das pirâmides) ou o próprio Bolaño, que não viveram para ver suas mais audaciosas obras terminadas. E ocorre que ninguém hoje em dia quer se dar ao luxo de começar alguma coisa da a qual não chegará a colher os louros.
Bom, pra não falar que não falei do livro, digo que o título é completamente enigmático e que em nenhum momento existe referência a 2666 em suas páginas, apesar de certas referências existirem em outras obras de Bolaño.
É, talvez você tenha que se aventurar nesse grande combate caso queira saber do que se trata.
Quem? Roberto Bolaño
Quando? Publicado postumamente, no ano de 2004
Páginas? 848
O primo Basílio
O primo Basílio eu li pelo mesmo método que usei para ler A volta ao mundo em 80 dias: o Leitura diária. Já expliquei sobre o método aqui, mas, basicamente, trata-se de uma ferramenta on-line que divide o livro em várias pílulas – que você vai recebendo e degustando diariamente por e-mail.
No início, fui acompanhando direitinho, mas, com o tempo, garrei tanto ódio da personagem feminina principal do livro, D. Luísa, que fui parando de ler. Meses se passaram até que eu resolvesse retomar e finalizar a leitura.
E por que fui garrar ódio de tal personagem? Porque se trata de uma personagem que me ofende como mulher e ser humano. Típico estereótipo que estamos acostumados a ver em novelas, da mocinha que se apaixona por outro, trai, é abandonada pelo objeto de afeto efêmero, morre de medo de perder o mocinho enganado que ainda não sabe da traição e que, por fim, se vê vítima de chantagem.
O papel de chantageador, que pode ser desempenhado por uma rival qualquer, aqui é desempenhado por Juliana, a criada explorada que vê nas cartas roubadas que revelam o amor proibido uma grande chance de arrancar da patroa aquilo que nunca conseguiu pelos meios éticos: ser tratada com respeito, dignidade e com o mínimo de condições. E por que a personagem de Luísa me ofende? Porque é real e está a minha volta.
O livro é uma crítica ferrenha ao modo e estilo de vida burguês: mesquinho e fútil. Quando D. Luísa se vê nas mãos da criada Juliana, é obrigada a, ela mesma, engomar suas roupas, varrer a casa, retirar a louça e, pasmem, arrumar a própria cama! “Acredite, tenho sido bem castigada! Ao princípio pediu-me seiscentos mil-réis. Depois começou a martirizar-me… Tive de lhe dar vestidos, roupa, tudo! Mudou de quarto, servia-se dos meus lençóis, dos finos. Era a dona da casa. O serviço quem o faz sou eu!… Ameaça-me todos os dias, é um monstro. [...] A minha vida é um inferno. [...] E trabalho como uma negra. Logo pela manhã a limpar e varrer. Às vezes tenho de lavar as xícaras do almoço. [...] Talvez não acredite, Sebastião, sou eu que faço os despejos!”, se lamenta a pobre Luísa.
A crítica do livro não se resume a relação patroa/empregada, mas diante das recentes discussões sobre a PEC das domésticas, foi o que mais me chamou a atenção.
Quão admirado ficaria Eça de Queirós ao saber que até hoje a relação patroa/empregada carrega resquícios das de 1878, ano de publicação de O primo Basílio? Quão chocado ficaria se tivesse acesso ao Facebook e pudesse ver a similaridade entre os relatos da injustiçada Luísa de 1878 e da classe média atual que, chocada, reclama que a PEC deixará a contratação das empregadas domésticas muito mais cara?
“Como agora vou conseguir trabalhar, estudar e cuidar dos meus filhos?”, é o que reclama a “mulher moderna” sobre a nova lei de contratação das domesticas. Ela só parece não se dar conta que a “mulher moderna” sobrevive às custas de mulheres que abandonam seus lares e suas casas para cuidar das casas das “mulheres modernas”.
Obviamente, não temos o cenário ideal quando falamos de creches, escolas e transporte público que garanta que os pais possam trabalhar sossegadamente. Mas é justo continuar explorando uma classe inteira para garantir os privilégios da classe média? Quem sabe a classe média, enfezada com a nova lei e a impossibilidade de bancar uma doméstica, não comece a cobrar escolas integrais de qualidade? Quem sabe essa não será uma mudança que poderá chamar várias outras? Mudanças e que privilegiariam a sociedade como um todo? Quem sabe?
Quem? Eça de Queirós
e-mails? 97
Quando? 1878
501 grandes escritores
Livros e uma xícara de chá para sua mesinha de centro
De vez em quando me bate uma certa culpa por acumular tantos livros em casa. Para quê armazenar tantos livros já lidos? Não seria melhor dar, trocar ou vender os exemplares que ocupam prateleiras e mais prateleiras? Grande parte dos livros que guardo jamais lerei novamente. Alguns eu talvez até chegue a folhear uma vez ou outra em busca de uma citação ou inspiração, mas raríssimos são os que eu de fato lerei mais uma vez ou os que eu tenho apego o suficiente para querer procurar uma passagem em especial.
Fora a questão prática: já não há mais espaço para que eles apareçam com destaque. Já estão uns sobre os outros, na frente dos outros, ao lado dos outros – no que, admito, não consigo deixar de ver um certo charme.
Então por que ainda os tenho? Bom, sempre quando estou quase decidida a ao menos selecionar os menos aparentemente significantes – menos belos, em edições mais chinfrins – para assim me desfazer deles, lembro por que os guardo. Porque são objetos de carinho, de lembrança, de decoração.
Não tem gente que usa plantas para encher o cômodo de vida? Alguns não preferem ocupar as paredes com fotos? Tem até quem use miniaturas de carros ou de personagens de séries de TV para decorar o quarto. Eu uso livros. Algumas pessoas guardam cartas e cartões postais, outras papéis de bala ou tickets de cinema. Eu guardo livros. Tem gente que coleciona selos, cartões telefônicos, moedas raras, chaveiros. Eu coleciono livros.
Tem coisa mais bonita do que um Rilke ao lado de um Toda Mafalda, debaixo de um Woody Allen? Tem coisa mais divertida do que brincar de organizar os livros ora por cor, ora por tamanho, ora por afinidade estilística?
Decorar com livros é bonito demais. Ainda mais quando se tem uns exemplares robustos como 501 Grandes escritores – sim! Enfim o livro que da nome ao post! Ainda mais também quando o livro não só é bonito, mas também muito bom de se folhear. Eu não moro sozinha, então ainda não tenho uma mesa de centro para chamar de minha, mas esse é o tipo de livro que ficaria bem em cima de uma mesa de centro. É o tipo de livro que as visitas pegarão para folhear e nem se importarão caso você se demora para voltar com as bebidas e petiscos, entretidas que estarão lendo sobre Elizabeth Bishop, Gertrude Stein, Simone de Beauvoir e outros tantos autores que elas têm vontade de conhecer, mas ainda não tiveram tempo de ler.
Quem? Editado por Julian Patrick
Páginas? 639
Quando? A minha versão é de 208
Post de aniversário – parte III
É isso. Um ano de blog, de postagens, de leituras e muitas risadas. De tentar desvendar o mundo através das páginas da literatura. E este é o último post da série de aniversário. Mais algumas citações – algumas inspiradoras, outras nem tanto! Quem quiser ver todas as outras citações, é só voltar nos posts anteriores. Aqui e aqui!
36. A revoada – Gabriel Garcia Márquez
“Acreditava que um morto parecia uma pessoa quieta e adormecida, e agora vejo que é exatamente o contrário. Vejo que parece uma pessoa acordada e raivosa, depois de uma briga.”
37. A lentidão – Milan Kundera
“Por que o prazer da lentidão desapareceu? Ah, para onde foram aqueles que antigamente gostavam de flanar? Onde estão eles, aqueles heróis preguiçosos das canções populares, aqueles vagabundos que vagavam de moinho em moinho e dormiam sob as estrelas?”
38. Bartleby, o escriturário – Herman Melville
“- Prefiro não fazer.”
39. Minhas Férias, pula uma linha, parágrafo – Christiane Gribel
“Eu sabia que as férias de ninguém iam ser mais as mesmas na hora que virassem redação. É simples: férias é legal, redação é chato. Quando a gente transformas as nossas férias numa redação, elas não são mais as nossas férias, são a nossa redação. Perdem toda a graça.
40. A elegância do Ouriço – Muriel Barbery
“Nunca vemos além de nossas certezas e, mais grave ainda, renunciamos ao encontro, apenas encontramos a nós mesmos sem nos reconhecer nesses espelhos permanentes. Se nos déssemos conta, se tomássemos consciência do fato de que sempre olhamos apenas para nós mesmos no outro, que estamos sozinhos no deserto, enlouqueceríamos. Quando minha mãe oferece petits-fours da casa Ladurée à sra. De Broglie, conta a si mesma a história de sua vida e apenas mordisca seu próprio sabor; quando papai toma café e lê o jornal, contempla-se num espelho do g6enero manual de autoconvencimento; quando Colombe fala das aulas de Marian, deblatera sobre seu próprio reflexo, e, quando as pessoas passam diante da concierge, só veem o vazio porque ali não se reconhecem.”
41. 100 coisas –Fernando Bonassi
“Queridos papais: o Duduzinho é um garoto hiperativo. Esse tipo de personalidade é comum no contexto de uma sociedade que apresenta diversos estímulos, nem todos condizentes com personalidades em formação, como o caso em questão. As modernas técnicas pedagógicas recomendam processos ludoterápicos, que visam a transformação criativa desses impulsos. Mas o negócio é o seguinte: nós tentamos o diabo com esse moleque maldito. Ninguém aqui aguenta mais esse pequeno canalha. Façam o favor de não trazê-lo amanhã, nem nunca mais, pô!”
42. Cartas a um jovem poeta – Rainer Maria Rilke
“Caso o seu cotidiano lhe pareça pobre, não reclame dele, reclame de si mesmo, diga para si mesmo que não é poeta o bastante para evocar suas riquezas; pois para o criador não há nenhuma pobreza e nenhum ambiente pobre, insignificante.”
43. Minhas tudo – Mario Prata
“E descobri muito feliz da vida , que nunca uma geração de jovens brasileiros leu e escreveu tanto na vida. Se ele fica seis horas por dia ali, ou está lendo ou escrevendo.”
(sobre a internet)
44. A metamorfose – Franz Kafka
“Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto.”
45. Ottifanten – Otto Waalkes
- Diga o que quiser… eu acho que existe vida lá fora! Formas primitivas de vida que estão milhões de anos atrasadas em relação a nós! //- Você quer dizer… // - Sim! Pessoas!
46. Ana Karênina – Leon Tosltoi
“Há de haver tantas maneiras de amar quanto os corações.”
47. Não me abandone jamais – Kazuo Ishiguro
“Olha só, Tommy, tem um bocado de coisas que você não entende e que eu não posso te contar. Coisas a respeito de Hailsham, a respeito do lugar que você vai ocupar no mundo, um monte de coisas. Mas, quem sabe um dia você vai tentar descobrir. Eles não vão facilitar nada para você, mas se você quiser de verdade, talvez venha a descobrir.”
48. O amante – Marguerite Duras
“Era preciso avisar as pessoas dessas coisas. Informar que a imortalidade é mortal, que pode morrer, que aconteceu e ainda acontece.[...] Que ela não existe no detalhe, mas apenas como princípio. [...] Que a vida é imortal enquanto vive, enquanto está em vida. Que a imortalidade não é uma questão de mais ou menos tempo, não é uma questão de imortalidade, é uma questão de alguma outra coisa que continua desconhecida.”
49. O leopardo – Giuseppe Tomasi
“Se queremos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude.”
50. Rainer Maria Rilke [poemas] – Rilke
“Quem ri agora em algum lugar da noite, sem razão se ri na noite, ri-se de mim.”
“Wer jetzt lacht irgendwo in der Nacht, ohne Grund lacht in der Nacht, lacht mich aus.”
51. O mal-estar na civilização – Sigmund Freud
“Quase parece que a criação de uma grande comunidade humana teria êxito maior se não fosse preciso preocupar-se com a felicidade do indivíduo.”
52. Morte súbita – J.K. Rowling
“Escolher é algo perigoso: quando escolhemos, temos que abrir mão de todas as outras possibilidades.”
53. Libelo contra a arte moderna – Salvador Dalí
“Le Corbusier me perguntou se eu tinha ideias sobre o futuro de sua arte. Sim, eu tinha. Aliás, tenho ideias acerca de tudo. Respondi que a arquitetura seria “mole e peluda”, e afirmei categoricamente que o último grande gênio da arquitetura chamava-se Gaudí […]”
54. A primeira vista – Daniel Maclvor
“Nada é suficiente.”
55. In on it – Daniel Maclovor
“Todas as coisas viram fumaça, se conservam na sua forma por um instante e depois se esvaem de si mesmas. As folhas, os fios, as árvores, os edifícios. E você fica triste que essas coisas estejam se desfazendo, mas ao mesmo tempo você sente essa paz abençoada por poder presenciar isso. E você pensa: é isso o que sentimos quando morremos. Mas não, então você se dá conta. Não… Não, isso é o que sentimos quando estamos vivos…”
Post de aniversário – parte II
Dando continuidade a série de posts e de citações em comemoração ao aniversário do blog – que é amanhã!
17. Capitães da Areia – Jorge Amado
“E, de súbito, tem medo de que nesta casa sejam bons para ele. Sim, um grande medo de que sejam bons para ele. Não sabe mesmo por que, mas tem medo. E levanta-se, sai do seu esconderijo e vai fumar bem por baixo da janela da senhora. Assim verão que é um menino perdido, que não merece um quarto, roupa nova, comida na sala de jantar. Assim o mandarão para a cozinha, ele poderá 1evar para diante sua obra de vingança, conservar o ódio no seu coração. Porque se esse ódio desaparecer, ele morrerá, não terá nenhum motivo para viver.”
18. Em busca de Curitiba perdida – Dalton Trevisan
“Leio aqui e ali, disposto a gostar. Em vão: nem um adjetivo bem achado, uma rima original, um só lampejo de ideia. Pobre sucessão de frases feitas, banalidades, lugares-comuns. Até o ponto de exclamação um engano – não passa de uma vírgula.”
19. Triologia Millenium – Stieg Larsson
“Entrou no quarto, vestiu uma calcinha, um jeans e uma camiseta com a inscrição Armageddon was yesterday – today we have a serious problem.”
20. A volta ao mundo em 80 dias – Júlio Verne
“Embora vivesse às claras, tudo o que fazia era tão matematicamente sempre o mesmo, que a imaginação, insatisfeita, procuraria ver além.”
21. Guia de drinks dos grandes escritores americanos – Edward Hemingway e Mark Bailey
“Gosto de um Martini/ dois, no máximo/ com três estou embaixo da mesa/ com quatro embaixo do anfitrião.”
22. Mansfield Park – Jane Austen
“Her more fearless disposition and happier nerves made everything easy to her there.”
23. Trainspotting – Irvine Welsh
“Cristo, a vida não dá trégua.”
24. O tempo e o vento – Érico Veríssimo
“- Quando entrei em Santa Fé, pensei cá comigo: capitão, pode ser que vosmecê só passe aqui uma noite, mas também pode ser que passe o resto da vida…”
25. Toda Mafalda – Quino
26. Grande Sertão: Veredas – João Guimarães Rosa
“E de repente eu estava gostando dele, num descomum, gostando ainda mais do que antes, com meu coração nos pés, por pisável; e dele o tempo todo eu tinha gostado. Amor que amei – daí então acreditei. A pois, o que sempre não é assim?”
27. Oliver Twiest – Charles Dickens
“Pouco a pouco, Oliver caiu nesse sono tranquilo e profundo que só deriva do alívio do sofrimento.”
28. Precisamos falar sobre o Kevin – Lionel Schriver
“Não era uma época fácil para ser professor, se é que algum dia já foi. Pressionados pelo Estado para elevar os padrões e pelos pais para dar notas mais altas, colocados sob uma lente de aumento para que se descobrisse qualquer insensibilidade étnica ou impropriedade sexual, dilacerados entre as exigências repetitivas da proliferação de testes padronizados e o clamor dos estudantes pela criatividade de expressão, os professores eram responsabilizados por tudo que dava errado com as crianças e assediados para salvá-las de todas as maneiras.”
29. Agora é que são elas – Paulo Leminski
“Essa era outra das expressões favoritas do professor. Quase, talvez. Na dupla dúvida, uma dúvida lançando desconfiança sobre a dúvida vizinha, equação de quarto grau, nessa vertigem imaginava Propp fundar sua certeza”.
30. A fugitiva – Anaïs Nin
“- você está infeliz, e em contrapartida está sendo muito infiel.”
31. Só garotos – Patti Smith
“Comprei um songbook do Bob Dylan e aprendi alguns acordes simples. No início não pareciam nada ruins, mas, quanto mais eu tocava, pior foram ficando. Eu não sabia que o violão precisava ser afinado antes.”
(Patti Smith, hoje uma das mulheres mais influentes do Rock e da música punk)
32. As intermitências da morte – José Saramago
“[...]as palavras, se não o sabe, movem-se muito, mudam de um dia para o outro, são instáveis como sombras, sombras elas mesmas, que tanto estão como deixaram de estar, bolas de sabão, conchas de que mal se sente a respiração, troncos cortados [...]”
33. Uma duas – Eliane Brun
“É engraçado como a gente quer escrever uma coisa e acaba escrevendo outra.”
34. O silêncio da chuva – Luiz Alfredo Garcia-Roza
“’Preferia não fazê-lo’, repetia tranquila e pacificamente Bartleby, o escrivão, para o seu patrão e protetor. Também eu, Preferia não fazê-lo. Preferia numa segunda-feira de manhã, não ter que ir à delegacia, não ter que assistir pela enésima vez à liberação dos bêbados […]. Ocorre que “meu patrão” jamais entenderia a frase Bartleby, sobretudo dita por mim.”
35. O retorno e Terno – Rubem Alves
“A música dos sons ou da palavra – é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras.”
Post de aniversário – parte I
Dia 15 de março o Pulaumalinhaparágrafo completa um ano de vida e de posts quase sempre frequentes. Achei que esse era um motivo para comemorar, afinal, quem imaginaria que eu conseguiria manter uma atividade como está por tanto tempo? Lendo e escrevendo toda semana sobre um livro diferente?
Resolvi que uma forma bacana de celebrar e ao mesmo tempo homenagear os livros que me fizeram companhia durante esse ano seria fazer um post especial com citações de todos esses livros. Citações que, por um motivo ou outro, chamaram minha atenção. A lista me surpreendeu pela extensão. Foram 55 livros comentados em 365 dias (ou 364? Tô com preguiça de conferir)! Tudo bem que alguns dos livros não foram lidos durante esse ano e que alguns dos posts foram escritos por terceiros (espero continuar recebendo ajudas em forma de post amigo), mas nada disso importa.
O importante é que, como a lista ficou muito grande, o post de comemoração virou uma série de posts de comemoração que você começa a ler agora, por ordem de aparição no pulaumalinhaparágrafo!
1. Travessuras da Menina Má – Mario Vargas Llosa
“Lily nunca me aceitava, mas o fato é que, tirando essa formalidade, em todo o resto parecíamos namorados.”
2. Pequena Abelha – Chris Cleave
“A chefe da recreação me lançou um olhar que significava: Eu disse a você para ficar na porta. Lancei outro olhar para ela que significava: Como se atreve? Era um olhar muito bom. Aprendi com a Rainha Elizabeth Segunda no verso da nota de cinco libras.”
3. Mundo por terra – Roy Rudnick e Michelle F. Weiss
“…existiam coisas mais importantes na vida do que trabalho e segurança financeira.”
4. Divertimento – Julio Cortázar
“Todas as coisas importantes ficam adiadas para amanhã.”
5. 1968 – O ano que não terminou – Zuenir Ventura
“Mais do que pela agressão física, as fotos ‘hediondas’ indignavam como símbolos do ultraje. A descrição de soldados urinando Sobre Corpos indefesos ou passeando o cassete entre as pernas das moças, junto às imagens de jovens de mãos na cabeça, ajoelhados ou deitados de bruços com o rosto na grama, eram uma alegoria da profanação.”
6. As esganadas – Jô Soares
“Ockham foi um frade inglês da Idade Média, um filósofo. A sua teoria é a de que. Se uma acção tiver várias explicações, a mais simples é a melhor.”
7. Ayla – a filha das cavernas – Jean M. Auel
“Cestas de tecidos apertadíssimos, à prova d’água, e bacias de madeira eram enchidas de água e pedras aquecidas nas fogueiras. As pedras iam esfriando e sendo levadas de volta ao fogo de onde saíam outras, até que a água fervesse e cozinhasse os legumes.”
8. O Vale dos Cavalos – Jean M. Auel
“As geleiras, vastos lençóis de gelo que atravessavam o continente de lado a lado, se difundiam pelo hemisfério norte. Quase um quarto da superfície da Terra achava-se soterrado sob o peso incomensurável e esmagador do gelo.”
9. On the Road – Jack Kerouac
“Faz semanas que não tenho tempo para trabalhar.”
10. Conversas com Woody Allen – Eric Lax
“Ela acho que sou louco. [Começa a rir] Em primeiro lugar, é muito autodepreciativa e modesta. E não tenho nenhuma credibilidade com ela [sorrindo], porque ela sabe o bobo que sou. Ela morou comigo e me conhece intimamente. Você perde a credibilidade ao morar junto, porque a sua parceira não pode deixar de notar que você não é [rindo] um ser humano apenas falível, mas também patético.”
(Woddy Allen sobre Diane Keaton)
11. The Beatles – a história por trás de todas as canções – Steve Turner
“Ele perguntou se eu conseguia pensar em um nome feminino francês com duas sílabas e em uma descrição de uma garota que rimasse. Ele tocou a harmonia no violão e foi quando me veio ‘Michele, ma belle’, que não era exatamente difícil de pensar! Acho que alguns dias depois ele me telefonou e perguntou se eu poderia traduzir a frase ‘these are words that go together well’e eu disse a ele: ‘Son les mots qui vont très bien ensemble’.”
(sobre como Paul compôsa música Michelle)
12. Assassinato no expresso oriente – Agatha Christie
“Tônio pode ser um estrangeiro, senhor, mas é uma criatura muito boa…”
13. No fim da certo – Fernando Sabino
“Não se sabe qual era a de um tradutor ilustre como Monteiro Lobato, por exemplo, mas consta que ele teria de viver mais de cem anos para dar conta de todas as traduções com sua assinatura.”
14. Ao sul de lugar nenhum – Charles Bukowski
“- Não é triste ver tudo isso? Errr, qual o seu nome?
- Dawn. É um nome terrível. Mas é o que as mães fazem com suas crianças às vezes.”
15. Zazie no Metrô – Raymond Queneau
“- Metida o caralho”












