Travessuras da menina má

Minha grande descoberta literária de 2011 foi Mario Vargas Llosa. Eu sei que ele tem mais de mil livros e escreve há mais de mil de anos, já ganhou Nobel e tudo, mas até meados de agosto, eu só o conhecia de nome e sabia que se tratava de um escritor latino americano. Nada mais. Foi quando ganhei de presente de aniversário atrasado: Travessuras da menina má.

Adorei o presente. Primeiro porque era um presente. Depois porque era um livro. Mais ainda porque meu aniversário já tinha passado há meses e eu nem esperava por mais nada. Mas o que eu ainda não sabia é que ele seria um dos meus livros preferidos de 2011 e ainda se tornaria a janela para conhecer melhor o autor que, aí sim, fui pesquisar, descobri ser peruano.

Depois de wikipedizar, descobri também que ele foi candidato a presidência do Peru em 1990, chegou até ganhar o primeiro turno!

O livro junta duas coisas que ultimamente tenho achado muito difícil de encontrar: história boa e um jeito bom de contar. Sei que isso parece óbvio e que deveria estar presente em todo livro, mas, sério, tem tanto livro mal escrito por aí… dá dó. E nem é erro gramatical, nem nada, é só mal escrito mesmo. Só que esse é diferente…

Ricardito, o narrador, conta as idas e vindas da menina que o perseguiu durante toda a vida. A história não deixa de ser um caso de amor, desses em que um é completamente subjugado pelo outro. Todas as decisões, de términos e recomeços, partem da Menina má. É ela quem decide quando vai e se volta. E à Ricardito, o menino bom, resta aceitá-la de volta, já se preparando para a próxima despedida. Mesmo quando Ricardo decide que é o fim, que não aceitaria mais voltas, lá vem a Menina má outra vez, com outra história, outro nome, outra personalidade, e arremata mais um vez o restinho de amor próprio que Ricardo conseguiu juntar em mais uma das ausências da menina.

O livro é ótimo para quem quer conhecer um pouco de Paris, Toquio, Lima, já que a história faz um passeio por todos esses lugares. E naqueles que já têm a sementinha do desejo de conhecer o mundo, faz brotar uma vontade esmagadora de sair por aí viajando.

O único problema é que, com o tempo, a história parece cair num padrão, e começa a ficar cansativa. A menina aparece, vinda de um outro país, conta uma história nova, fica com Ricardito, se cansa, vai embora, desaparece por tempos, dá novas pistas, Ricardito vai atrás, ela conta uma nova história, eles ficam juntos, ela se cansa, vai embora, ele fica sozinho novamente até que ela dê novas pistas e ele vá atrás, ela conta outra história e eles ficam juntos outra vez…

O que eu gosto mesmo em Travessura da menina má, é que ele me soa muito verdadeiro. Todo mundo parece ter tido, ou está em vias de ter, um relacionamento desse tipo…

Nota 9

Quem? Mario Vargas Llosa

O que? Travessuras da Menina Má

Quando? 2006

Páginas? 302

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6 comentários sobre “Travessuras da menina má

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