Divertimento

Quem tem o hábito de ler bastante provavelmente já escutou o papo de que a gente só lê um livro de verdade quando o lê pela segunda vez. Só assim você já entende desde o início as relações entre os personagens e o modo como eles agem, justamente porque você já os conhece. Detalhes que passam batido no início da leitura tornam-se claras quando relemos uma história. 

E quem lê muito mesmo já deve ter tido a experiência de reler vários livros. Não me lembro exatamente qual foi o primeiro livro que reli, mas acredito que tenha sido Harry Potter. Li muitas vezes cada um deles, e ainda sim, quando relia por uma terceira, quarta vez, ainda descobria coisas novas. 

Mas foi com Divertimento que, pela primeira vez, resolvi ter a experiência de reler um livro logo após o ler pela primeira vez. Assim que terminei a última das 143 páginas, voltei ao início e o reli. 

Relendo que fui entender melhor a passagem do livro em que eles chamam um espírito por meio da brincadeira do copo

A experiência foi ainda mais marcante porque Divertimento não é daqueles livros que contextualizam a história antes de começar. Grande parte dos livros costumam apresentar a história que estar por vir, dando uma pequena explicação sobre, pelo menos, os personagens principais. Em Divertimento, Cortázar simplesmente começa a narrar a história como se Jorge, Marta e Inseto fossem velhos conhecidos. 

Sabe quando a gente entra no cinema no meio da sessão e não entende muito bem o que está acontecendo porque não pegou aquele iniciozinho que nos prepara para história que virá? Foi assim que me senti quando comecei a ler Divertimento. A diferença é que eu não tinha pulado nenhuma página, mas, mesmo assim, sentia que não estava pegando algo. 

Talvez tenha sido essa a intenção de Cortázar, ir narrando uma história na esperança de que seus personagens fossem compreendidos com o passar das páginas. Só sei que, apenas quando reli, pude absorver melhor a história. 

Uma boa história, aliás. Sem grandes pretensões, apenas um divertimento para quem lê. Foi gostoso acompanhar por algumas páginas experiências de jovens, talvez um pouco inconsequentes, com pretensões artísticas, que brincam de ver espíritos e chamar almas de outro mundo numa Buenos Aires de 1949.

 

Quem? Julio Cortázar

O que? Divertimento

Quando? A edição aí do lado é de 2003, a primeira é de 1986, lançada postumamente, mas foi escrito mesmo em 1949

Páginas? 143

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5 comentários sobre “Divertimento

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