1968 – o ano que não terminou

O que mais estou gostando nesse blog – além de poder falar, falar e falar – é o fato de não precisar me ater a nenhum gancho jornalístico para comentar um livro. Não preciso esperar o aniversário de morte de determinado autor ou a data de seu centésimo aniversário se estivesse vivo. Tampouco pequenos detalhes como o lançamento de um livro – e não estou falando isso só porque o Millôr Fernandes morreu por esses dias e eu nunca li nenhum livro dele para aproveitar o gancho.

A única coisa que me prende é meu próprio ritmo de leitura e é por isso que hoje vou falar de 1968 – o ano que não terminou. O que se mostra muito pertinente, pois, afinal, nada mais pertinente do que falar de um ano que ainda está por aí.

O que não me saía da cabeça enquanto lia o livro de Zuenir Ventura era “porque diabos a gente não lê uma coisa dessas na escola?”. Quantos bimestres foram gastos – muitas vezes em vão – por professores de história Brasil afora na tentativa de explicar o que se sucedia no Brasil em 1968, a conjuntura que levou ao Ai5 e posteriores consequências? Muitos semestres seriam poupados com a leitura de um livro como o de Zuenir.

Se você está pensando: “tá, mas quantos anos tem essa pessoa agora? Um menino de 15, 16 anos talvez não desse conta da leitura”, é provável que esteja equivocado. A escrita é muito simples, sem ser simplória, e narra com muita emoção momentos históricos. Claro que o livro é todo de momentos históricos, mas agora me refiro àqueles momentos que são narrados e rememorados sempre, como a passeata dos cem mil. O que me faz lembrar que a não ficção pode ser tão ou mais emocionante que mundos mágicos e universos encantados.

Dizem as más línguas que não tinha realmente 100 mil pessoas na passeata, mas pouco importa, o impacto com certeza ultrapassa a marca

Quando critiquei o fato de Pequena Abelha ser um livro todo trabalhado para te fazer chorar, também disse que gosto mesmo é daqueles livros que fazem chorar pela sinceridade da narração, quase sem querer. 1968 é um grande exemplo disso. Conhecer mais de perto passagens não muito memoráveis de um passado não tão distante pode liberar algumas lágrimas e apertar algumas gargantas.

Leitura essencial para quem quer entender um pouco mais a história do Brasil, pra quem gosta da boa escrita, para quem quer apreciar como escreve um bom jornalista.

Quem? Zuenir Ventura

O que? 1968 – O ano que não terminou

Quando? Originalmente publicado em 1989. A versão aí do lado é de 2008

Páginas? 267

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5 comentários sobre “1968 – o ano que não terminou

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