On the road

Parece uma analogia óbvia, mas ler On the road foi como fazer uma viagem. Uma vez li numa pesquisa – e concordei plenamente – que grande parte da viagem está no prazer de planejá-la. De pesquisar sobre o assunto, fazer um roteiro, imaginar como será, criar expectativas. Algumas vezes, chega mesmo a ser a melhor parte. E por mais divertida que a viagem seja, nem sempre supera a expectativa criada.

Outra coisa, batida, é verdade, but still true: não há lugar como nosso lar. Bacana demais conhecer lugares novos, conhecer outras pessoas e dar de cara com situações inesperadas. Mas nada como ao aconchego da nossa casa, nossa cama, nossas coisinhas e voltar a tomar banho sem chinelos.

Tinha tempos que queria ler, mas foi a pressão da chegada do filme que finalmente me deu o empurrão!

E o que isso tudo tem a ver com on the Road? Acontece que li a versão “recém” lançada da L&PM, chamada On the road – o manuscrito original, que, além de recuperar uma das primeiras versões escritas por Kerouac – antes que o medo de processos fizessem com que diversos editores alterassem nomes e dados da história – conta com quatro artigos sobre Kerouac e a influência do livro na literatura mundial, e mais: sugestões de leitura e uma introduçãozinha básica.

São exatamente 100 páginas de preâmbulos e expectativas que me fizeram ansiar loucamente pela história em si. E tudo começou muito bem. Cada página uma aventura, uma história, uma reviravolta e um ritmo alucinante de escrita. Não só pela falta de vírgulas e frases encadeadas, mas pelo próprio teor da história e pelo temperamento dos personagens.

Mas foram tanta viagens e paisagens, idas e vindas, casamentos feitos e desfeitos, tantos drinques e porres e transas e confusões que fiquei fisicamente cansada pela leitura e, no final, só queria voltar para casa.

Quem? Jack Kerouac
O que? On the road – o manuscrito original
Quando? Nossa, isso é uma confusão só. Parece que existem várias versões do livro e que ele foi editado e reeditado inúmeras vezes, por diversos editores. O nome dos personagens foi trocado para evitar processos e tudo o mais. Mas, reza a lenda, que a versão original foi toda escrita de uma vez – ainda que depois o próprio Kerouac tenha dado uma editada – com os nomes reais e tudo o mais. É esse o tal do manuscrito original que eu li e foi publicado em 2011 pela L&PM.
Páginas? Contando com os quatro ensaios que estão no livro, 356

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9 comentários sobre “On the road

  1. Eu gostei bastante e não achei nada prolixo! É um pouco cansativo, mas acho que pela histõria mesmo, não um cansativo necessariamente ruim. Não sei dizer se é melhor que a versão lançada antes porque simplesmente não li. Fiquei até curiosa pra saber como é…

    Acho que a grande diferença é que a versão lançada anteriormente suprimiu algumas passagens mais picantes, digamos assim, e trocou alguns nomes, por medo de processos. Parece também que os editores mudaram um pouco o estilo do Kerouac, colocando mais vírgulas e encurtando frases. Mas eu não achei o manuscrito original confuso ou prolixo – que foi o que muitos editores alegaram como motivo para editar tanto o livro.

    O manuscrito original também não é uma bagunça sem edição, como pode parecer. O próprio Kerouac leu e releu esse manuscrito e fez alterações.

    Isso eu tô falando de acordo com os artigos que estão no início do livro e com a leitura do próprio manuscrito.

    Mas achei o link de uma pessoa que leu as duas versões e defende o manuscrito original:

    http://www.letrasecia.com.br/blog/blog/2011/08/31/oito-motivos-para-voce-ler-o-manuscrito-original-de-on-th-road/

  2. não li o manuscrito original – que me disseram cansativo, mas pelo visto nem é tanto-, e sim o outro.

    digamos que as loucuras pela estrada me cansaram, mas foi um cansaço deslumbrado! e como li durante o intercâmbio, a vontade que eu tinha era de criar e colocar um monte de estradas no bolso. sabe como é?

    pra além do turbilhão que é a vida de sal, dean e das moças pela estrada, o que ficou desse livro foi certo “espírito on the road” de levar as coisas. e acho que é por isso que ele marcou uma geração e segue chamado de ‘a bíblia beatnik’.

    beijos, bollmann.
    tz

    p.s.: curiosidade: o responsável pela tradução que eu li fez um mochilão de NOVE MESES (acho que é isso mesmo) pela América Latina para mergulhar na atmosfera da obra e sentir, finalmente, a segurança de traduzir uma obra dessa envergadura. e terminou a trilha lá em nova york, no túmulo de jack.

    1. Tz!

      Adorei a vontade de colocar um monte de estradas no bolso!
      Coincidência você comentar aqui logo agora pq super estou tendo essa sensação com o livro que estou lendo! Mas acho que o que influenciou mais foi a ida a SP. Sempre volto de viagem com essas vontades!!!

      Queria eu poder viajar 7 meses para mergulhar na atmosfera da obra antes de escrever sobre ela, por exemplo! =]

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