Capitães da Areia

Normalmente, escrevo posts dos livros que acabei de ler. Vou lendo e postando aqui. Mas resolvi fazer um post retroativo dessa vez. Culpa da exposição temporária do Museu da Língua Portuguesa que, até o dia 22 de julho, homenageia o escritor baiano Jorge Amado – depois a exposição vai para o Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador.

Pra quem adora colecionar coisas, e vai sempre/mora em São Paulo, vale a pena colecionar as entradas pro museu, que sempre mudam de acordo com a exposição temporária

O museu em si em eu nem acho lá grandes coisas – é legalzinho – mas as exposições temporárias, que ocupam o primeiro andar do prédio da Estação da Luz, em São Paulo, costumam ser bem mais interessantes do que as exposições que ocupam os dois andares restantes.

Na do Jorge Amado, os pontos altos são a ala que traz retratos do autor ao lado de vários outros escritores e celebridades, como Gabriel García Márquez, e a galeria que trata do sincretismo religioso e da diversidade de cores, tão retratados por Jorge Amado em suas obras.

Na homenagem ao Jorge – que acaba sendo também uma homenagem à Bahia -, o que achei mais interessante foi a exposição das milhares de cores que pessoas entrevistadas numa pesquisa por amostra de domicílio – o PNAD/1976 -, alegaram ter. Nessa pesquisa, as pessoas foram perguntadas: qual é a sua cor? Mas não foram dadas opções, assim cada um podia responder o que quisesse. Foram dezenas de respostas: alva rosada, azul, azul-marinho, branca, bem branca, baiano, cor de leite, cor de ouro, cor de rosa, laranja, lilás, mestiça, parda, polaca, preta, pretinha, roxa, ruiva, russo, tostada, turva, verde, vermelha…e mais um tanto.

Não sei bem porque, talvez meus hormônios estivessem desregulados, mas me deu um aperto na garganta ver, escrito na parede, aquelas cores. Acho que o clima da sala influenciou, com vários santos e objetos das mais diversas religiões. O cheirinho de cacau que vinha do ambiente ao lado também deve ter ajudado.

Essa parte da exposição também é legal: cada fitinha, similar a do Bonfim, traz o nome de um dos mais de 300 personagens criados por Jorge Amado em suas histõrias

Fato é que deu muita vontade de ler outros livros do Jorge Amado, mas como ainda não deu tempo, vou falar de um que li já há um tempinho, acho que na oitava série, e que ganhou uma versão cinematográfica recentemente: Capitães da Areia.

A história é bem conhecida e fala de um grupo de meninos abandonados que, durante a noite, se amontoam num trapiche abandonado e, de dia, ocupam as ruas de Salvador dos anos 1930. O enredo, esse sim, mais que aperto na garganta, pode causar derramamento de lágrimas – ou eu que estou/sou muito sensível?

É triste pensar no amadurecimento precoce de crianças que acabam seguindo caminhos tortuosos. Mais ainda pensar que isso não se passa só em Salvador nem apenas em 1930. Mas a história tem também pontinhas de alegria, esperança e otimismo, principalmente na figura do Professor, personagem que, mesmo contra todas as probabilidades, vira pintor.

ps.: sou mestre em enrolar e contar casos antes de finalmente falar do livro em questão, mas dessa vez me superei!

pss.: falando em exposições e etc, amanhã começa a Bienal do Livro de Minas. Ela costuma me decepcionar, mas vou manter a mente aberta…

Quem?Jorge Amado

O que? Capitães da Areia

Quando? 1937

Páginas? Vixe, não sei. Se descobrir atualizo aqui. Mas não é muito, dá pra ler, gente!

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4 comentários sobre “Capitães da Areia

  1. Como eu queria ver essa exposição…! Capitães de Areia é incrível e não, não é você que está sensível: o livro é de chorar mesmo (ou então, nós duas estávamos sensíveis naquela época!

  2. Jorge Amado sempre contou minhas histórias, mas às avessas – porque eu sempre recusei a ideia de ter que nascer assim, crescer assim e coisa e tal
    e acho difícil me imaginar namorando em cima do telhado. Apesar de que
    a beleza que exala de uma morena é bem minha, hahaha! Depois teve uma época que cismei de ser Tieta – também sem sucesso – mas ainda não conheço a história dos Capitães de Areia para ver se finalmente me encontro -ou não. Mas continuo amando mais esse Jorge.
    ps:(sobre a arte de falar, falar e não falar nada)
    ps2: quero voltar a SP para ver essa exposição!

  3. Gabrieelaaaa! Você tem esse livro? Podia me emprestar!
    Se bem que com o recente bafafa do Marcelo Faria, fiquei com vontade mesmo de ler Dona Flor e seus dois maridos, hehehehe

    Acho que esse não vai deixar minha sensibilidade a flor da pele…rs!

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