Em busca de Curitiba perdida

Lá venho eu de novo com outro post retroativo, mas dessa vez é por um bom motivo: me expor ao ridículo. Daí que ontem tudo que era site e portal de notícias – até o Jornal Nacional – trazia a notícia de que Dalton Trevisan havia ganhado o mais alto prêmio da literatura em língua portuguesa, o prêmio Camões, e a única coisa que eu consegui pensar foi: “uai, mas eles premiam pessoas que já morreram?”.

Sim, até algumas horas atrás eu achava que Dalton Trevisan já tinha morrido. Sou só eu que acho que escritores que escrevem desde a década de 1940 e quase sempre são retratados com fotos em preto e branco provavelmente já morreram?

Mais uma foto do autor em p&b, para manter a tradição

Me senti ainda mais burra porque há exatamente um ano estava morando em Curitiba e tinha decidido que, pra conhecer mesmo a cidade, precisava conhecer seus escritores. E uma amiga curitibana me recomendou: “cê tem que ler Dalton Trevisan” (o “cê”é provavelmente por minha mineirice em conta).

E lá fomos nós em vários sebos atrás do Vampiro de Curitiba, segundo ela, o mais emblemático dos livros de Dalton – e que, afinal, trazia o nome da cidade que eu queria conhecer. Rodamos pelas ruas de lá – aliás, outra forma legal de conhecer uma cidade é visitando os seus sebos – atrás do livro, mas não encontramos. Acabei levando Em busca de Curitiba perdida, que talvez tenha servido ainda melhor ao meu propósito original.

São 23 contos que retratam aspectos nem sempre tão visíveis ou exaltados da capital do Paraná. As histórias nem sempre trazem o nome da cidade ou de seus moradores, mas você sabe que é disso que ele tá falando. Um conto que me marcou bastante foi Uma vela para Dario. A história já me era conhecida, talvez também seja para você, mas eu não sabia que se tratava de um conto de Dalton Trevisan.

Trata-se da história de um rapaz que, andando na rua, começa a se sentir mal. De início, é acudido por algumas pessoas, que o deitam na calçada, afrouxam-no a gravata e retiram-lhe os sapatos para que ele possa se sentir melhor. Com o passar dos minutos, o rapaz continua mal. Estirado no chão,  roubam-lhe o relógio, o alfinete de pérola, os sapatos. Termina morto, na chuva, sem paletó, sem nada. Lê lá, página 18, que você vai entender do que eu tô falando.

Gosto bastante também da Canção do exílio 

“Não permita Deus que eu morra

sem que daqui me vá

sem que diga adeus ao pinheiro

onde já não canta o sabiá

morrer ó supremo desfrute

em Curitiba é que não dá…”

 

E é isso, o Prêmio Camões serviu para que eu descobrisse que Dalton está sim velhinho, 86 anos, mas ainda vivo. E em Curitba.

***

Esse trecho do wikipedia aliviou um pouco minha consciência: “é avesso a entrevistas e exposições em órgãos de comunicação social, criando uma atmosfera de mistério em torno de seu nome”.

Quem? Dalton Trevisan

O que? Em Busca de Curitiba perdida

Quando? 1992 (seu eu tivesse reparado que o livro é desse ano, era capaz deu desconfiar que ele ainda estivesse vivo)

Páginas? 90

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Um comentário sobre “Em busca de Curitiba perdida

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