Trilogia Millenium

Tô abrindo precedentes para um novo tipo de postagem no blog: o post amigo. Tudo começou quando meu amigo Lucas Pavanelli, depois de assistir ao primeiro filme da trilogia Millenium, veio me pedir o livro emprestado. A empolgação foi tanta que em poucos dias ele já estava pedindo o segundo e, pouquíssimo tempo depois, “o terceiro, peloamordeus”. E durante a leitura ele deu a sugestão: “porque você não aproveita o burburinho do filme pra falar da série no blog?”. Minha alegação foi que a história já não estava tão fresca na minha cabeça, não o suficiente para escrever um post, pelo menos. E aí, naquela sintonia de amigos, ele se ofereceu para escrever um post um segundo antes que eu mesma fizesse o convite. O resultado vocês podem ler agora:

***

Confesso que o que me atraiu a procurar a dona do blog para um empréstimo da trilogia foi o filme (o Hollywoodiano, não o sueco) que vi pela internet, quase por acidente. O único problema de ver o filme antes de ler o livro é que, durante as 1500 páginas dos três volumes, o protagonista tinha a cara do Daniel Craig e nem por um momento deixei de comparar o super-jornalista com o 007.

Sério, bem melhor ver a cara do Daniel Craig do que a desse cara da versão cinematográfica sueca do livro (legenda da autora do blog)

Sempre achei a Suécia um país sem graça. Suas taxas de IDH, PIB per capita, os relatos sobre falta de filas e pontualidade dos meios de transporte, os impostos pagos e que são retribuídos com serviços de qualidade pelo Governo, o frio glacial, a ausência de corrupção e de quaisquer tipos de problemas me afastavam de querer saber mais sobre esse país tão pobre em espírito de porco e jeitinho brasileiro. A única coisa que achava legal era o fato de muita gente se suicidar por ali de tanto que a vida era perfeita e sem dificuldades, obstáculos e filas do INSS.

Pois bem. A trilogia do Larsson coloca por água abaixo muitas dessas teorias ventiladas pelo senso comum e que taxam a Suécia de país-pé-no-saco. Mesmo as excelentes taxas de IDH, PIB per capita, os relatos sobre falta de filas e pontualidade dos meios de transporte, os impostos pagos e que são retribuídos com serviços de qualidade pelo Governo e o frio glacial, a Suécia tem sim um monte de problemas para lidar. Um deles é que o país é um dos que apresentam maiores taxas de violência contra a mulher. E é ai que Larsson se embrenha para contar a história de Mikael Blomkvist, Lisbeth Salander e cia.

A violência contra a mulher não se resume ao estupro. Este é, sem dúvida, o mais doloroso, invasivo e brutal, mas existe uma lista grande de atitudes que os homens que não amam as mulheres são capazes de executar: abusos, violências, torturas de todo o tipo (sexuais, psicológicos, jurídicos, verbais, físicos, etc). O grande barato do livro é que o autor consegue denunciar todo esse tipo de coisa, sem se perder num enredo construído para prender a atenção do leitor.

A melhor tática, em minha opinião, é a profundidade psicológica dos personagens. Larsson prende a atenção porque, de certa forma, seus personagens se identificam com o leitor que está ali parado na frente do livro. Mesmo que, a princípio, não se pareçam em nada.

A protagonista, Lisbeth Salander, por exemplo, é uma mulher com cara e corpo de criança, jeitão meio punk, piercings, tatuagens… ou seja, alguém que já vimos por aí na praça da Savassi, tomando vinho Chapinha no bico numa noite de sexta-feira. E é sua inteligência absurda e talento cibernético notável que a faz conseguir tudo o que quer. Mikael Blomkvist é o alter-ego de Stieg Larsson, super-jornalista investigativo que faz tremer os grandes figurões da social-democracia sueca. Algo que todos nós, que fizemos jornalismo, gostaríamos de ser, mas que, infelizmente, não existe mais.

No fim, a sensação é de que se conhece um pouco mais da Suécia, tanto pela descrição das cidades e suas paisagens, quanto pelos detalhes contados sobre os personagens e já me prometi que visitarei um amigo que mora em Estocolmo. No verão.

ps: Comentando sobre a trilogia por aí, me contaram sobre um ditado que eu nunca tinha ouvido falar: “O brasileiro é mineiro com a sua mulher e sueco com a mulher dos outros”. É, faz sentido.

***

Só um comentário da autora desse blog: as aspas da minha introdução foram livremente adaptadas!

Quem? Stieg Larsson

O que? Trologia Millenium

Quando? O primeiro volume, 2008. O segundo e o terceiro, 2009 (A série foi lançada postumamente. Seu autor morreu quatro anos antes da publicação dos livros de um ataque cardíaco, aos 50 anos. Li uns boatos por aí que Larsson, antes de morrer, tinha começado a escrever um quarto volume da série. Mas, olha a confusão, tá uma briga danada entre a viúva e a família do autor pra vem quem tem direito aos manuscritos do que poderia originar esse(s)  próximo(s) volume(s)…)

Páginas? Umas 1500

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12 comentários sobre “Trilogia Millenium

  1. Fico feliz de saber que a série que me encantou anda encantando outras pessoas numa reação dominó! Recebi a dica de uma antiga chefe, e passei pra Sté, que passou pro Pavá… legal essas reações em cadeia, ainda mais de um livro bem bacana. Também quero conhecer a Suécia um dia e, de fato, a profundidade dos personagens no livro é genial. =)

  2. Lindo! Assim, eu só senti falta de algo do tipo “eu vi o filme por indicação do grande amor da minha vida, minha namorada linda que me inspira e me faz acordar mais lindo, apaixonado e inteligente diariamente”. Fora isso, curti encontrar um pouco mais da Suécia e variações de comportamento que independem das taxas de IDH – tudo isso, por trás de um bom suspense.
    Quero mais posts amigos!

    1. Hahahaha, se é asssim, Gabi, eu ia sentir falta de você dizendo que a sua indicação só pode acontecer por conta da indicação feita por suas grandes amigas Stéphanie e Luiza, que te levaram para ver o filme no cinema e até seguraram na sua mão nos momentos de tensão!

  3. Preta, isso tudo é implícito e está nas entrelinhas!!
    Sté, minha mãe também terminou, seus livros estão separados aqui e ela gostou muito. Vamos organizar uma viagem à Suécia e passar pelos cenários de Estocolmo, Uppsala, Hedestad, etc… Em Julho, por favor.

  4. me deu vontade de ler também,mas acho que vou ver o filme primeiro.
    muito gentil da sua parte ceder um espaço pro moço, Sté.
    quem sabe ele não anima a voltar com o blog…
    sou fã do que meu genro escreve.

    1. Uai, os livros estão as ordens! Aliás, desde o inicio, quando fiz o blog, quis criar um espaço para que as pessoas pudessem comentar, falar das suas experiências, incentivar umas as outras a lerem outros livros…parece que está acontecendo, né?! Por isso, nada mais justo do que abrir espaço para que outras pessoas escrevam, ainda mais se for uma pessoa do gabarito do seu genro! =)

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