A volta ao mundo em 80 dias

Estava muito ansiosa por esse post.

Há algumas semanas descobri um site que tenta driblar as desculpas dos que se dizem muito ocupados e sem tempo para a leitura. “Estou formando”, “trabalho demais”, “estou escrevendo minha dissertação de mestrado”, “preciso passear com meu cachorro e não sobra tempo para ler”. As desculpas são infinitas e o número de páginas lidas, zero.

Acho essas e quaisquer outras desculpas uma grande balela. A verdade é que, para ler, e para qualquer outra coisa na vida: quem quer acha tempo, quem não quer, acha desculpa. Mas vá lá, algumas pessoas realmente têm força de vontade e só precisam de um empurrãozinho. O leituradiária.com dá. Como?

Você entra no site, escolhe um livro, cadastra seu e-mail e voilà, começa a receber, por e-mail, em pílulas, o livro escolhido, do início ao fim, com todas as linhas e parágrafos da obra original. E sério, um e-mail a mais um a menos, não  faz diferença. Você vai lá e lê, junto com as correntes e outras porcarias que você recebe diariamente.

Mas eu não queria apenas falar desse site aqui no blog. Quis testar antes. Por isso estava já suuuper ansiosa!

As obras disponíveis são apenas as de domínio público. E eu escolhi A Volta ao mundo em 80 dias. Na hora do cadastro, você pode selecionar o tamanho dos trechos que deseja receber, com que frequência e até em qual parte do dia. A partir disso, o site calcula em quanto tempo você conseguirá ler a obra completa.

Curiosidade: apesar de várias edições trazerem fotos de balão na capa, em nenhum momento da volta ao mundo o balão é utilizado. Usam-se trenós, trens, navios, até elefante, mas o balão não passa de uma cogitação

Decidi receber minhas pílulas todos os dias, incluindo sábado e domingo, na parte da tarde. E escolhi também receber trechos que durassem mais ou menos 10 minutos. De acordo com minhas opções, terminaria o livro só por volta de outubro, depois de 168 e-mails!

Não estava muito preocupada com esses detalhes pois achei que poderia mudá-los no decorrer da leitura. Não dá. Me arrependi um pouco porque achei o livro muito bom e os trechos muito curtos, ainda mais se comparados com a minha vontade de continuar a história!

Mas como então eu já estou falando dele aqui no blog? É que o site tem uma ferramenta que te permite receber mais de um trecho por dia e, assim, adiantar a leitura. Num belo domingo tedioso, pedi pra receber o próximo trecho, e o próximo e, quando vi, tinha lido uns 20 trechos num dia.  À esse domingo tedioso se seguiram alguns dias mais tranquilos no trabalho ou uma folguinha na hora do almoço que me permitiram adiantar a história ainda mais e conhecer logo o mundo pelos olhos de Phileas Fogg e seu fiel criado francês, Passepartout.

Vou contar só o início da história porque me fez lembrar de uma outra coisa que quero falar aqui. Tudo começa quando Phileas Fogg, caricatura do inglês certinho e fleumático que não se abala por nada e segue o planejado custe o que custar afirma que, diante dos avanços tecnológicos da época – Século XIX! -, era possível dar a volta ao mundo em 80 dias. Seu amigos o contestam na hora. Afinal, bastaria que uma tempestade atrasasse a saída de um navio ou uma nevasca impedisse a partida de um trem que todo o cronograma estaria perdido.

Mas na ânsia de provar que o planejamento, quando seguido piamente, não tem como falhar, Fogg aposta uma grande fortuna com seus amigos e parte, no mesmo dia, para a volta ao mundo. Como seu objetivo é apenas provar que é possível contornar todos os meridianos da terra em 80 dias, Fogg pouco se importa com as belezas e surpresas do caminho. “Não viajava, descrevia uma circunferência”. E aí entra o que eu queria falar. Agora tô até meio com vergonha porque não tem tanto a ver, mas se já cheguei até aqui, vou adiante.

Fogg, com seu método de viajar, acabou me lembrando aquelas pessoas que, de tão preocupadas em realizar um objetivo – e mostrar que realizaram o objetivo – se esquecem de aproveitar o momento. Coisa que me irrita é quando, num show, um babaca levanta o mãozão e tampa a minha vista para gravar o show inteiro. O cara perde a chance de presenciar o negócio ali, ao vivo, sem barreiras, pra assistir ao show por trás das lentes de sua câmera. Prefere gravar no cartão de memória do que na retina. Ódio. Mas se até Fogg acaba enxergando outras coisas pelo caminho…

***

Quem quiser ler em inglês tem a opção do daylit, mas esse eu ainda não testei. Em breve, talvez.

Quem? Júlio Verne

O que? A volta ao mundo em 80 dias

Quando? 1873

e-mails? Ah, quantos você preferir!

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4 comentários sobre “A volta ao mundo em 80 dias

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