Mansfield Park

Esse é um livro grande, muito grande. E nem estou falando de número de páginas. Sabe aquelas histórias em que você consegue de fato acompanhar o crescimento dos personagens, a forma como eles amadurecem ideias, mudam de opinião, se apaixonam, têm desilusões, se recuperam e assim por diante?

Sei que isso parece comum, encontrável em qualquer história, mas não é bem disso que estou falando. É muito normal um livro onde você acompanhe os personagens. Acho que não estaria sendo leviana ao dizer que todos os livros se tratam disso. Mas Mansfield Park é diferente. Não é como em muitos livros onde o autor escreve algo do tipo: “e aí beltrana se apaixonou por fulano” e pronto, está dada a notícia.

Em Mansfield Park é possível ver o personagem se apaixonando. É difícil explicar porque o único outro livro que estou lembrando de ter tido a mesma sensação é também de Jane Austen: Orgulho e preconceito. E aí fica provado que realmente não se trata do número de páginas, já que Orgulho e preconceito é relativamente menor que Mansfield Park.

Um dos motivos porque soa muito mais verossímil as mudanças de temperamento e comportamento dos personagens é que elas não acontecem de uma hora para outra. Anos se passam na história até que certas ações amadureçam e que fatos repercutam. E o que é realmente da essência do personagem, dificilmente muda.

Apesar de não achar outro livro para comparar, durante todo o tempo de leitura me lembrei de um filme muito similar nesse lance todo que estou tentando explicar. O filme se chama Giants (Assim caminha a humanidade, em português) e acho que o próprio nome já dá um pouco da dimensão do filme. Cerca de três horas de duração contam praticamente a vida inteira dos personagens. Da juventude até a velhice, com todas as nuances que esse passar de tempo envolve.

É lindo o filme. Lindo também está James Dean e Elizabeth Taylor…e, no fim das contas, lindo é também o livro de Jane Austen (dei uma de Caetano agora).

Enfim, panorama básico da história: Fanny é a filha mais velha de uma família relativamente pobre e de muitos irmãos. Vive em um lar cheio de privações e com poucas perspectivas, até ser convidada por um tio mais rico a morar em sua casa – em Mansfield Park. Lá, apesar de ser bem tratada, falta o calor dos laços familiares e afetivos. Fanny sofre. E teria sofrido ainda mais não fosse a receptividade de pelo menos um de seus quatro primos: Edmund. Muitos anos se passam e Fanny cresce. Não só em idade, mas também em afetividade com seu novo lar.

Esse trechinho, nas páginas finais, talvez ajude a esclarecer o que eu tentei explicar (sem/com sucesso?) durante esse post inteiro:

“I purposely abstain from dates on this occasion, that every one may be at liberty to fix their own, aware that the cure of unconquerable passions, and the transfer of unchanging attachments, must vary much as to time in different people.”

Quem? Jane Austen
O que? Mansfield Park (Outro livro da autora: Razão e Sensibilidade)
Quando? 1814 é a primeira publicação! (Gostaria de aproveitar o espaço para fazer uma pergunta: até quando versões importadas dos livros vão custar bem menos do que as produzidas no Brasil? É um absurdo que um livro feito em outro país, que atravessou quilômetros para estar aqui, custe cinco paus, enquanto no Brasil…aff!)
Páginas? 479

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3 comentários sobre “Mansfield Park

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