Trainspotting

Eu e meus caminhos tortuosos para chegar a um livro. Dessa vez, já aviso que a história é comprida. Lembro-me como se fosse ontem o dia em que uma amiga comprou uma camiseta que eu já tinha visto em outros lugares, com o mesmo escrito, ainda que em modelos diferentes. Uma camisa que, mesmo que eu não soubesse exatamente de onde vinha, sabia ser cult. Os dizeres eram:

Engraçado que esse texto não aparece no livro, não que eu tenha reparado, pelo menos, e eu tentei reparar. Existe até um trecho parecido, mas não igual, mas que de uma forma ou de outra, quer dizer a mesma coisa

E quando perguntei a essa mesma amiga de onde vinha esse texto, ela disse que de um filme, mas um filme que ela ainda não tinha visto. Fiquei curiosa e, um tempo depois, baixei o dito cujo. Lembro direitinho da situação porque eu estava de intercâmbio, morando em outra cidade, e ela também, só conversávamos pela internet – bastante até – e assim que terminei de assistir, quis comentar sobre o excelente filme, mas ela ainda não havia visto! E se não estou enganada, ainda não assistiu (já passou da hora, hein, frend?!)!

Revendo o trailer e lembrando do filme, acho que a leitura do livro é um pouco mais pesada que a do filme…

Foram precisos outros tantos meses (anos?) para que eu descobrisse, por acaso, que o filme, na verdade, era inspirado num livro: Trainspotting. Não sei nem porque me surpreendi tanto assim… Desconheço uma pesquisa real, mas, de acordo com minhas próprias estatísticas, pelo menos uns 80% dos filmes devem ser inspirados em livros…

Claro que, feita a descoberta, fui correndo procurar e comprar o livro cujo título, na gíria escocesa, significa uma atividade sem sentindo, uma completa perda de tempo. O livro de Irvine Welsh narra episódios da vida sem sentido dos jovens Spud, Sick Boy, Rents, Tommy e outros jovens escoceses da década de 1990, época de poucas perspectivas e de grande domínio das drogas, heroína, principalmente, mas não só.

O livro é quase como se fosse dividido em crônicas, grandes crônicas, desses escoceses que de uma forma meio torta, são todos amigos. É meio parecido com o livro que eu um dia gostaria de escrever. A diferença é que no meu livro vou usar um único narrador, porque esse negócio de, a cada “crônica”,  usar um dos personagens para narrar a história confunde minha cabeça, rs.

Outro diferencial do texto de Irvine Welsh: ele utiliza uma linguagem completamente informal e coloquial, faz ainda uso de termos de um dos dialetos escocês e da linguagem fonética. Me deu muita vontade de ler a versão original, mesmo correndo o risco de ficar completamente perdida nessa combinação. Mas até que a tradução não me decepcionou. Parece um pouco estranho no início, mas com o tempo você passa a se acostumar, até porque está mais interessado em descobrir até que ponto algumas pessoas podem ir pra descolar um pico.

Mas será que sem sentindo é a vida desses caras que se drogam até quase perderem a consciência ou dos sãos que, sóbrios, acordam para mais um dia de trânsito e trabalho para comprar coisas que não precisam, fingindo ser que não são, para agradar pessoas pelas quais nem se importam? É mais ou menos esse o raciocínio da camiseta.

Quem? Irvine Welsh

O que? Trainspotting

Quando? 1993

Páginas? 350

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2 comentários sobre “Trainspotting

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