O tempo e o vento

Esse pode ser um retrato da decepção ou do orgulho. 2013 dirá

 

Uma notícia recente encheu meu coração de expectativas e temores: em breve teremos uma adaptação cinematográfica de uma das obras mais grandiosas que já li – O tempo e o vento. E não me refiro apenas a tamanho – são mais de mil páginas, divididas em três partes, sete livros – mas também ao número de personagens e gerações que a história perpassa e na extensão histórica que o livro cobre – da formação do estado do Rio Grande do Sul, em meados de 1680, até o fim do Estado Novo, 1945. Sem contar o tempo gasto para que Érico Veríssimo publicasse a obra completa.

Foi quase um ano da minha vida acompanhando de perto os mais de 200 anos da história das famílias Terra, Cambará e Amaral. Só de lembrar da transformação da cidadezinha de Santa Fé, onde se passa grande parte da história… O alargamento das ruas, a chegada dos primeiros automóveis, a inauguração dos primeiros clubes. A paisagem rural que, lentamente, dá lugar ao cenário urbano.

Acho que é o livro que reúne mais dos meus personagens preferidos. Não só o muito conhecido Capitão Rodrigo, mas também Bibiana Terra que acompanhei da infância até velhice, e Bolívar Cambará, que pena nas mãos de Luzia Silva, são três dos meus favoritos.

Enfim, dá pra entender o porquê da minha grande expectativa e também do meu grande medo de que essa história linda e cheia de personagens fortes seja arruinada ao ser transposta para o cinema.

As filmagens foram recentemente finalizadas e a previsão é de que a produção chegue às telas em 2013.  Foram mais de dois meses de trabalhos que se dividiram, principalmente, entre Bagé, onde foi construída a vila cenográfica de Santa Fé; Candiota, locação das cenas de batalha; e Pelotas, que teve os seus antigos casarões transformados em set.

A direção é de Jayme Monjardim – medo? – e alguns dos atores envolvidos são: Thiago Lacerda (como o certo Capitão rodrigo), Marjorie Estiano (Bibiana na idade adulta), Fernanda Montenegro (Bibiana mais velha) e Cleo Pires (Ana Terra quando jovem).

Lembrando que na minissérie de 1985, foi sua mãe, Glória Pires, quem interpretou o papel

 

Aproveitando que estamos falando de Érico, esses dias trombei com esse trecho de uma entrevista feita por Clarice Lispector para o Veríssimo que me identifiquei muito:

“-Érico, por que você acha que não agrada aos críticos e aos intelectuais?

-Para começo de conversa, devo confessar que não me considero um escritor importante. Não sou um inovador. Nem mesmo um homem inteligente. Acho que tenho alguns talentos que uso bem…mas que acontece serem os talentos menos apreciados pela chamada “crítica séria”, como, por exemplo, o de contador de histórias. Os livros que me deram popularidade, como “Olhai os Lírios do Campo”, são romances medíocres. Nessa altura me pespegaram no lombo literário vários rótulos: escritor para mocinhas, superficial etc. O que vem depois dessa primeira fase é bastante melhor mas, que diabo! pouca gente (refiro-me aos críticos apressados) se dá ao trabalho de revisar opiniões antigas e alheias. Por outro lado, existem os grupos. Os esquerdistas sempre me acharam acomodado. Os direitistas me consideram comunista. Os moralistas e reacionários me acusam de imoral e subversivo. Havia ainda essa história cretina de norte contra sul. E ainda essa natural má vontade que cerca todo o escritor que vende livro, a ideia de que best-seller tem de ser necessariamente um livro inferior. Some tudo isso, Clarice, e você não terá ainda uma resposta satisfatória à sua pergunta. Mas devo acrescentar que há no Brasil vários críticos que agora me levam a sério, principalmente depois que publiquei “O Tempo e O Vento”. Bons sujeitos!”

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Trecho da entrevista retirado daqui

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Blog do filme aqui

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Um desabafo: se você leu apenas Um certo capitão Rodrigo ou Ana Terra, peloamordedeus, vá ler o resto antes de falar que leu O tempo e o vento! O que você leu foi, na verdade, apenas um dos capítulos da primeira parte da trilogia…que a editora resolveu lançar separadamente depois do enorme sucesso da minissérie da Globo! Não se deixe ludibriar! Além de ser ruim pra você, que está perdendo todo o resto da história, é revoltante pra quem leu a obra toda! Humpfh!

Quem? Érico Vérissímo

O que? O tempo e o vento (a saga é dividida em três partes: O continente, O retrato e O Arquipélago. Sendo que, pelo menos na versão que eu li, a primeira parte é composta de dois livros, a segunda de mais dois livros e a terceira, três livros. Sete livros no total).

Quando? Originalmente, a primeira parte – O continente – foi lançada em 1949. O retrato, dois anos depois, em 1951. A última parte – O arquipélago-, foi publicada muitos anos depois, em 1962. Érico se recuperava de um ataque cardíaco e galera já estava descrente que ele conseguiria publicar essa terceira parte.

Páginas? Putz, tá osso de contar. Digamos que os sete livros, enfileirados, ocupe uns 30 centímetros da minha estante.

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