Toda Mafalda


 

O bom filho a casa torna

 

Esse post é uma homenagem ao retorno de um dos meus livros preferidos. Chegou ao fim o exílio da minha querida Mafalda. Depois de muitos meses emprestada, meu Toda Mafalda já está de volta à minha estante. Não que eu esteja reclamando, aliás, não foi a primeira vez que a exilei. Sou muito benevolente com empréstimos, ainda mais aqueles que faço para tentar incentivar a leitura.

Tenho uma teoria sobre literatura que pode ser resumida da seguinte forma: não existe pessoas que não gostam de livros, o que existe são pessoas que ainda não leram O Livro certo. Claro que O Livro certo não é o mesmo para todas as pessoas. O meu Livro pode não ser o mesmo que o seu, mas, definitivamente, para toda pessoa existe Aquele Livro que irá causar uma espécie de explosão de identificação e assim desencadear um grande gosto pela leitura. O que acontece é que muitas pessoas não se deram – ainda – o trabalho de iniciar a busca pelo Livro certo. Às vezes é preciso ler cinco, oito, vinte livros antes de encontrar um especial. O importante é não desanimar na árdua tarefa.

Afinal, se tem mesmo gente que acredita que para cada um de nós existe uma alma gêmea, porque não acreditar que para cada um existe também o livro gêmeo? E olha que há no mundo muito mais livros que pessoas (confere, produção?). A probabilidade do seu livro gêmeo estar esperando para ser aberto é muito mais alta do que a de você encontrar seu par perfeito. Se bem que, se você está lendo essa ladainha, é porque já deve ter grande prazer em ler. Logo, sua missão é compartilhar seu conhecimento e suas descobertas!

Ah, se todas as pessoas estivessem dispostas a se deixarem contagiar…

 

É o que procuro fazer com meus empréstimos. Fico sempre tentando emprestar um livro que eu acredito que irá ser o certo para determinada pessoa. E Mafalda é uma personagem tão incrível que acredito que possa desencadear o gosto de leitura para muita gente. Por isso faço questão de emprestá-la para muitas pessoas. Mafalda não chega a ser minha personagem de tirinhas preferida – um dia ainda falo dele por aqui – mas com certeza é de grande potencial de identificação.

Insatisfação com o status quo, rebeldia, irreverência, atrevimento, desgosto por sopa e apreço pelos Beatles. Pelo menos uma das características dessa garotinha contestadora deve estar de acordo com suas preferências.

Adoro treinar meu portunhol na companhia da Mafalda!

 

E tem ainda o fato de serem histórias curtinhas – tirinhas, dã! -, rápidas de serem lidas. Bom para os que ainda não descobriram o prazer de se perder em páginas e mais páginas de leitura. Dá pra ler uma tirinha antes de dormir, outra depois do almoço, umas quatro no intervalo da novela. E é isso, inclusive, uma das coisas que torna Quino ainda mais genial do que já é. A habilidade de causar uma reflexão profunda em poucas frases e cinco ou seis traços. Tem que ser mesmo muito fera para contar uma história inteira em dois ou três quadrinhos.

***

Tô tentando agora completar minha coleção da Mafalda em Espanhol, que acabou de ganhar mais um exemplar! Quem quiser colaborar…hahaha

Quem? Quino

O que? Toda Mafalda

Quando? A primeira edição do livro que reúne a primeira, a última, e todas as tiras nesse ínterim, é de 1991

Páginas? 420 ( e que páginas! O livro é mais comprido e largo que uma folha A4)

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9 comentários sobre “Toda Mafalda

  1. Amo e me vejo na Mafalda. Só que dessa vez não foi ela.
    O que me pegou nesse post, já deste o 2 paragrafo, foi escarafunchar meu arquivo de memórias e descobrir qdo fui – picada – pelo livro certo.
    Voltei lá no primário e lembrei como a doçura do poema “Leilão de Jardim” da Cecília Meireles, me tocou. Em “Heidi” e “Outra vez Heidi”, fui a orfã.
    Aos 10/11, o primeiro contato com o “autor” do meu nome, Erico Verissimo: “Música ao Longe” e aí quis ser Clarissa, me apaixonei pelo Vasco. Depois, “O Grande Mentecapto”.
    Um pouco meu mais tarde “O Encontro Marcado”. Sabino mexeu comigo… fui ele com todas as dúvidas, desencontros e andei pelas ruas de BH, na maior segurança, com minha turma.
    e hoje, sacando no susto uma referência: Gabriel Garcia Marques!
    Aí borbulharam títulos, lembranças, viagens nos personagens…
    Não sei qual foi o primeiro que despertou o gosto pela leitura, mas passional que sou,continuarei fugindo através das páginas e vivenciando o homem, a mocinha, o bandido, a romântica, o rebelde, o herói, a louca.

    Gostoso retorno esse que me proporcionou, Sté. beijão.

    1. Acho que eu preciso de um pouco mais de distanciamento para conseguir perceber quais foram os livros que me picaram. Sei que foram muitos, viu? Alguns parecidos com os seus, inclusive!

      Tão bom proporcionar esse tipo de lembranças!!!

  2. ai, com certeza, Bollmann! tem que ter uma aversão imensa à combinação de letras e palavras no mundo pra dizer que detesta livros, ou que detesta ler. da culinária à moda, passando pela auto-ajuda e pela ficcção científica, tem material pra tudo!

    [ai, Flor, que orgulho olhar ali pro lado e ver milzes escritores de portes diferentes figurando aqui… carry on! ;-)]

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