A fugitiva

Livro pela capa e pelo título, já comprei muitos, mas pelo preço, acho que foi o primeiro. Claro que já aproveitei outras pechinchas antes, só que, das outras vezes, já era um livro que eu queria ler, que eu ao menos já havia ouvido falar. Dessa vez não.

Numa livraria, me deparei com a Coleção 64 páginas da L&PM. Qualquer livro da “recém lançada” coletânea custa apenas 5 reais e possui, logicamente, 64 páginas. Achei a ideia boa e resolvi levar um. Sherlock Holmes eu não estava a fim, Bukowski eu tinha acabado de ler, contos de Machado de Assis não estava nos meus planos a curto prazo. Anaïs Nin? Essa eu nunca ouvi falar. “A maestria literária de Anaïs Nin nas mais íntimas fantasias eróticas”, era o que dizia a contracapa. Levei.

 Anaïs Nin foi símbolo do feminismo de sua época

 

O livro traz três contos: O Basco e Bijou, Manuel e A fugitiva, todos altamente eróticos. Acho que nunca tinha lido um livro cujo propósito fosse apenas retratar as aventuras sexuais dos personagens. Acho que foi também o primeiro com pequenas letras laterais em vermelho que diziam “leitura imprópria para menores de 18 anos”.

Claro que já li muitos livros com passagens quentes, vide Lolita, Ao sul de lugar nenhum, On the road, entre outros. Mas essas passagens faziam parte de um contexto maior. Eram um detalhe em meio a complexidade da história dos personagens.

Já em A fugitiva, todas as passagens e desenlaces são uma desculpa para retratar algum episódio sexual. Parece que o propósito do livro é apenas estimular o leitor. E deve ter sido mais ou menos isso mesmo. Ainda que sua personalidade seja desconhecida, dizem que esses, assim como outros contos de Anaïs Nin, foram escritos sob a encomenda de um cliente misterioso dos anos 1940.

Os contos foram publicados apenas postumamente e pelo que pude pesquisar, Anaïs Nin ficou famosa mesmo foi com a publicação dos vários volumes de seus diários, ao que tudo indica, tão picantes quanto sua ficção. Eles retratavam, inclusive, suas aventuras com o amante e também escritor Henry Miller. Por isso Anïs só permitiu a publicação dos diários após a morte de seu marido Hugh Guiler

Não digo que seja minha leitura preferida, mas não foi de todo ruim. Tá, foi boa até. Nunca li esses romances de banca de revista – que dizem ser uma literatura pornográfica bem ruinzinha – então não posso afirmar que são mesmo mal escritos, mas  Anaïs Nin eu posso confirmar que é muito bem escrito. Mas dá uma vergonhazinha. Vai ver a pudica sou eu.

O que? A fugitiva

Quando? Bom, essa coleção é de 2012

Quem?  Anaïs Nin

Páginas? 64 (dã)

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4 comentários sobre “A fugitiva

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