Só garotos

Quem nunca sentiu uma grande impotência quando cercado por estantes cobertas de cima a baixo de livros e mais livros? Diante da pequenez das horas em relação ao grande número de obras que gostaria de ler?

Saber que nunca dará conta de ler todos os autores fantásticos que existiram/existem/existirão pode dar um choque tão grande na pessoa que ela pode até se paralisar e acabar não lendo mais nada. Tipo quando você tem tantas tarefas pra terminar que prefere abrir um cerveja, se esticar no sofá e não fazer nada, sabe?

É mais ou menos assim que me sinto quando leio livros do tipo de Só garotos, autobiografias de escritores ou artistas de forma geral, que narram esse mundo em que você pode sentar num bar e estar ao lado de Janis Joplin, ter um lanche pago por Allen Ginsberg ou ver Andy Warhol de relance. Isso para citar apenas os poucos nomes que eu identifiquei no livro em que Patti Smith narra parte de sua vida ao lado do fotógrafo Robert Mapplethorpe na Nova York do final da década de 1960. São tantos nomes de escritores, músicos e performancers, desconhecidos para mim, que quase dá aquela sensação do primeiro parágrafo.

De desconhecidos a amantes, companheiros, amigos. Difícil enquadrar a relação entre Patti e Robert

Mas eu resisto, né? Em vez de abrir uma cerveja, abro outro livro e continuo aí nessa busca dos autores desconhecidos. Com Só garotos, tive uma sensação parecida com a que tive lendo Paris é uma festa, de Hemingway. Era tanto autor pra lá, pintor pra cá, férias na casa de praia do escritor x, festinha na da escritora y…Uma loucura e um grande acréscimo na lista imaginária de autores a serem lidos.

Mas voltando a Só garotos, Patti Smith tem um jeito engraçado de narrar os altos e baixos por que passou até chegar à “poetisa do punk”. Não consegui identificar o que de fato causa essa impressão, mas o fato é que a escrita é de uma tranquilidade…mesmo nos momentos mais difíceis – de fome, doença, morte – não existe angústia. A história tem seus altos e baixos, mas não o tom com que Patti descreve tudo, que é bem linear. E é muito inspiracional – mas não é auto-ajuda não!

O que? Só garotos

Quando? 2010

Quem? Patti Smith

Páginas? 254

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3 comentários sobre “Só garotos

  1. Oi, estou publicando meu livro Quimera no blog http://quimera1.blogspot.com.br , se quiser apreciar uma boa leitura,sejam bem vindos.
    “__Sim. O chefe da segurança ligou para o seu pai, e ele já está vindo. __Ele ainda me abraçava quando confessou. __Eu não devia ter ficado longe de você em nenhum momento da festa. Eu não me perdoaria se algo de ruim tivesse acontecido com você. __E apenas para mim eu comentei que ele estava certo, se ele não tivesse saído de perto de mim nada disso teria acontecido, ninguém teria morrido. Ou talvez tudo pudesse ser muito pior. E quem estaria morta seria eu. E perdida nesses pensamentos, senti sua mão no meu rosto, e não pude deixar de perceber que sua mão não era tão firme e quente quanto uma que me tocara há poucos instantes. Ela levantou o meu queixo, e antes que eu pudesse mergulhar no oceano daqueles plácidos olhos azuis, senti sua boca contra a minha, e por puro egoísmo, senti minha vida começar, enquanto outra se findava.”

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