O silêncio da Chuva

Tem dias que a gente está completamente de saco cheio de tudo. Chateado, enfadado, triste, cansado, estressado. Nessas horas – e em muitas outras – é muito bom ter um livro para se agarrar e dar umas escapulidas. Tem épocas até em que o livro é, inclusive, a única coisa boa do dia, o único momento de escape. Tive sorte de ter O silêncio da chuva à mão nesses últimos dias.

Trata-se de um romance policial bem diferente de todos os outros que já li. A princípio, achei que fosse ser igual ao entediante As esganadas, pois, logo de cara, o autor conta para você, leitor, o que de fato acontece. Mas, diferentemente do livro de Jô Soares, onde nada mais acontece e a grande reviravolta nunca vem, em O silêncio da chuva os personagens se embananam completamente e vários outras mortes acontecem e você fica tipo, “como assim, não tô entendendo mais nada” o que é um sentimento muito bom para quem está lendo um romance policial.

Sua primeira ficção – O silêncio da chuva – foi escrita aos 60 anos! Sempre é tempo mesmo!

Outra coisa interessante: a história às vezes muda de narrador e de perspectiva. Então você, leitor, que já sabe o que acontece de um outro ponto de vista, às vezes tem mais informações do que o muito carismático detetive Espinosa e, mesmo assim, não consegue desvendar a razão das mortes que se sucedem.

Aliás, mesmo no fim da história, você fica sabendo de coisas que o próprio Espinosa jamais saberá – a não ser que ele descubra em um dos outros quatro livros policias protagonizados por ele, não sei, ainda não li. O fato é que é muito mais verossímil que, numa investigação, mesmo que se chegue ao culpado, ninguém nunca saberá de todos os detalhes. Alguma coisa sempre escapa ao entendimento. Seja por falta de pistas, seja porque um dos interrogados mentiu, esqueceu, enlouqueceu ou mesmo porque não se trata de um detalhe necessário.

Importante: o livro não possui aquela cena clássica – e completamente irreal – na qual o vilão, minutos antes de ser preso, revela todos os detalhes e pormenores do crime para que você – e às vezes o próprio detetive – possa entender a ordem das coisas e o que de fato aconteceu. Odeio essas passagens em filmes e livros do gênero! A maioria das vezes é um recurso utilizado porque o autor, diretor, roteirista etc e etc não deu conta de dar todas as pistas no desenrolar da obra e precisa que, nos minutos finais, the bad guy dê com as língua nos dentes. Previsível e patético.

Ah é, mais um bom motivo para ler o primeiro romance de Luiz Alfredo Garcia-Roza: as tramas paralelas são boas e os personagens interessantes. Eu fiquei torcendo para que Espinosa se desse bem com a viúva Bia…

Trechinho do livro que gostei e separei para não esquecer:

“Caminhava como que guiado pelo piloto automático. Não gosto de fazer isso por períodos grandes de tempo, há sempre o risco de nos acostumarmos. Creio até que todos nascemos no piloto automático e que apenas alguns, um dia, assumem o comando”

O que? O silêncio da chuva

Quando? 1996

Quem? Luiz Alfredo Garcia-Roza

Páginas? 243

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Um comentário sobre “O silêncio da Chuva

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