O retorno e terno

Vou fazer um contraponto ao que disse no post anterior…Eu devia estar meio mal humorada ainda quando escrevi que nos dias ruins é muito bom ter um livro para se agarrar e dar umas escapulidas. Não deixa de ser verdade, mas menospreza outro lado super importante: de como é bom ter um ótimo livro a mão quando você está numa semana perfeita, de férias, papo pro ar e barriga pro sol, pezinho no mar…

Foram essas as condições de leitura de O retorno e terno: entre uma crônica e outra, um cochilo na areia, uma caminhada, um mergulho. A intenção aqui não é fazer inveja aos que trabalharam a primeira semana inteira de setembro. Absolutamente. Mas é mostrar que livro é pau pra toda obra, pão pra toda ceia, companhia pra qualquer momento.

Foi uma leitura calma, com direito a releituras, indagações e compartilhamento. Com esse livro tive outra experiência relativamente nova: ler, gostar muito de uma parte, estar rodeada de amigas e poder reler em voz alta para elas os trechos preferidos, escutar comentários. Porque companhia nos momentos trágicos é importante, mas nos de alegria, é essencial.

Que tipo de leitura fica ruim com um cenário desses?

Tem um pequeno porém, O retorno e terno talvez seja o tipo de livro em que, primeiro, seja preciso estar preparado e aberto para ler; tem que entrar no clima. Exemplo: é impossível gostar de James Bond se você ficar, a todo momento, questionando as habilidades do agente 007. Não dá para assistir ao filme ao lado de alguém que fica o tempo todo comentando: “gente, mas é impossível pular duma altura dessas sem se machucar”.

Não dá pra ler as crônicas de O retorno e terno se você se preocupar com a pieguice que, vez por outra, transborda. Poxa, ele está falando de amor, casamento, morte, amizade! Mas se você abrir seu coração vai perceber que as frases foram, sim, escritas para você.

Vai dizer que foi por acaso que, recém-chegada ao hotel em que ficaria uma semana de férias com grandes amigas e resolvo tirar o livro da mochila, assim, de cara, na primeira crônica, me deparo com frases como: “A experiência da amizade parece ter suas raízes fora do tempo, na eternidade. Um amigo é alguém com quem estivemos desde sempre”.

Hoje não é o dia do amigo, nem nada, mas é sempre bom lembrar que com amigos – os reais e os fictícios, os de carne e osso e os de papel e tinta – “não é preciso falar. Basta a alegria de estarem juntos, um ao lado do outro. Amigo é alguém cuja simples presença traz alegria independente do que se faça ou diga”.

O que? O retorno e terno

Quando? 2000

Quem? Rubem Alves

Páginas? 175

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6 comentários sobre “O retorno e terno

  1. “A experiência da amizade parece ter suas raízes fora do tempo, na eternidade.” Esta foi a primeira frase que me marcou do Retorno e Terno há alguns (muitos) anos. Desde então se tornou um dos meus livros favoritos. (Desde então), para várias fases da minha vida, tive uma crônica favorita. Já foi A Madrasta e o Espelho, Príncipes e Sapos, Em Louvor à Inutilidade. Todas belas, simples, sem muita pretensão. E quase todas, realmente, piegas, bregas, ridículas!
    Hoje, estou na fase de As Mil e Uma Noites, A Cena.. E portanto, ridícula, – como todas as cartas de amor!

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