A revoada (O enterro do diabo)

Eu já tinha percebido que muitos escritores, roteiristas, cineastas e afins parecem repetir alguns temas, histórias, cenários ou tipos de personagem em mais de uma obra. É como se eles tivessem tido uma grande ideia mas não tivessem descoberto ainda a melhor maneira de utilizá-la. Ou como se não tivessem ficado satisfeito com sua primeira utilização e precisassem de uma nova chance.

Imagino, se eu tivesse uma grande sacada, como decidir se ela cairia melhor em um conto? Em uma crônica? Um romance? Será que vale um curta? Um longa? Às vezes parece que eles tentam, mas não muito satisfeitos, utilizam a ideia novamente em outra obra. Não sei se é exatamente esse o sentido do fluxo, mas deve ser algo parecido.

Lendo um dos livros de histórias curtas de Woody Allen, por exemplo, já identifiquei alguns traços posteriormente – ou anteriormente? – utilizados em filmes. Aliás, Woody é um caso a parte de repetição de ideias…, mas não é dele que vamos falar aqui. Vamos falar de Gabriel García Marquez e de como o seu primeiro romance – A revoada – já tem como cenário a cidade – Macondo – que alguns anos depois daria origem ao seu livro mais famoso – Cem anos de Solidão.

Recentemente, Gabriel García Márquez anunciou que não escreveria mais…

 

A revoada, romance de estreia, conta a história do enterro de um dos homens mais odiados da nossa querida Macondo. Cidade que, em 1967, tornou-se cenário de Cem anos de Solidão. Não sei se quando escreveu A revoada o autor já imaginava utilizar o material em outro livro, mas me pergunto se, nesse momento, García Márquez já sabia que tinha em mãos material para muito mais. Será que ele já tinha em mente desenvolver os personagens e a cidade que acabara de inventar? Ou será que, insatisfeito com o resultado, resolveu criar outra história em torno da ideia original?

Tendo a rechaçar a segunda hipótese, pois A revoada possui, por si própria, méritos que vão além da minha paixão por Cem anos de solidão. O livro é narrado sob três pontos de vista: um coronel, sua filha e seu neto. Cada um conta parte dos acontecimentos e, a cada troca de ponto de vista, repete-se parte do acontecido sob esse outro olhar, o que dá uma ideia legal de como o ocorrido tem significados diferentes para cada um dos personagens. Não tem ainda toda a complexidade e riqueza de detalhes de Cem anos, mas vale cada uma das 144 páginas.

O que? A revoada (O enterro do diabo)

Quando? 1955, primeiro romance do escritor

Quem? Gabriel García Márquez

Páginas? 144

Anúncios

2 comentários sobre “A revoada (O enterro do diabo)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s