Bartleby, o escriturário (Uma história de Wall Street)

Não tem jeito. O tema trabalho tem sido mesmo o assunto do mês, do semestre, talvez do ano. Um papo vai levando a outro, uma sugestão de leitura a outra, e acabei lendo, nos últimas dias, Bartleby, o escriturário (Uma história de Wall Street), um contozinho sobre um funcionário que, um belo dia, se recusa a fazer as tarefas dadas por seu chefe. O melhor é que ele não possui nenhum motivo aparente, ele apenas diz: “prefiro não fazer”.

O chefe pede:

-Bartleby, cheque um documento comigo.

– Prefiro não fazer.

O chefe acha que foi mal entendido e repete o pedido da maneira mais clara possível, mas a resposta é a mesma:

– Prefiro não fazer.

– Prefere não fazer?

– Prefiro não fazer.

 As cobras é das melhores coisas que o Luís Fernando Veríssimo já criou

 

Antes de comentar a história em si, acho válido comentar como cheguei nela. Parece um pouco com a história do dedinho que “você não sabe se está batendo toda hora justamente porque ele está machucado ou se, como ele está machucado, toda vez que você bate, sente”. Mas sabe quando você nunca tinha ouvido falar de uma coisa e aí, depois que alguém comenta com você essa coisa ela começa a aparecer em todos os lugares?

Então, uma amiga (vamos manter o anonimato para preservar, né? Vai que o chefe dela lê isso aqui…) estava reclamando comigo como gostaria de fugir, ir pra fazenda, abandonar o emprego e tudo o mais que essa vida era muito estressante e que dava vontade de chorar e que etc. E aí ela falou: “Depois leia uma short story chamada Bartleby, the Scrivener”.

Fui procurar saber mais e descobri que a história era do Herman Melville, o mesmo de Moby Dcky. Ok. Fiquei de ler a tal história. Alguns minutos depois, passeando por blogs que costumo frequentar, acho um post recente falando de quê? Sim, de Bartleby!

Achei tanta coincidência que até fui perguntar para minha amiga se ela tinha recomendado por causa do tal post. Sei lá, às vezes ela também acompanhava o blog, viu o post, leu, gostou e recomendou ou então já tinha lido e lembrou de como era bom depois de ver o post…

Só que não. Ela nunca tinha visto tal blog. Como diz uma amiga minha, fiquei muito bolada. Como assim??? Se já não bastasse, um dia depois, procurando numa livraria um livro para dar de presente, o que eu encontro? Anrã: Bartleby, o escriturário (Uma história de Wall Street), baratinho ainda por cima, numa edição de bolso.

Comprei, li e agora estou aqui, dando várias voltas para finalmente falar sobre o livro…

O final da história não é nada alegre, principalmente para Bartleby, mas o que eu fiquei pensando mesmo foi: e se a gente decidisse simplesmente não fazer aquilo que não gostaríamos de fazer? Será que a gente pode mesmo se ater apenas àquilo que quer? E será que a gente tem mesmo que ficar fazendo o que não temos a mínima disposição para fazer?

– Stéphanie, acorda pra vida, vai trabalhar, criar carreira.

– Prefiro não fazer.
O que? Bartleby, o escriturário (Uma história de Wall Street

Quando? A história apareceu pela primeira vez na revista americana Putnam’s Magazine, divida em duas partes. A primeira foi publicada em Novembro de 1853, e concluída na publicação de Dezembro, do mesmo ano.

Quem? Herman Melville

Páginas? 89

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2 comentários sobre “Bartleby, o escriturário (Uma história de Wall Street)

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