Minhas férias, pula uma linha, parágrafo

Se você está lendo esse post e ainda não comprou o presente de dia das crianças para o seu filho, sobrinho, afilhado, irmão mais novo, neto, filhinho fofo da vizinha… para tudo e presta atenção!

Qualquer pessoa que ler esse blog com o mínimo de cuidado vai perceber que a leitura ocupa grande parte da minha vida e que a considero de extrema importância. Já falei que a companhia de um livro é ideal para os momentos tristes, imprescindível nos alegres. Já disse também que é quase impossível que alguém não goste de ler, mais provável é que ela ainda não tenha achado um livro que tenha gostado. Seria igual falar que não gosta de comer…você pode não gostar de legumes ou de carne de porco, mas quem não gosta de comer? Você pode até não gostar de Augusto Cury ou não ir com a cara de história em quadrinhos, mas não gostar de ler?

O que acontece é que nem todos têm a sorte de gostar logo da primeira leitura e de cara se tornar um ávido leitor. Por isso mesmo é
importante começar desde pequeno – que é quando se torce o pepino! E dar muitas opções para os pequerruchos. Se o seu filho não gostar de banana você vai desistir de dar frutas pra ele? Por que então você desistiria de ler pra ele O pequeno polegar pelo simples fato dele não ter gostado muito de Os três porquinhos?

E tem outra coisa, viu? Menino quando engaja na leitura dá um sossego…

 

Pesquisas e estudos que demonstram a importância da leitura para o desenvolvimento cognitivo, para o crescimento pessoal, para aprimorar habilidades de fala e escrita tem aos montes por aí. Mas não é minha intenção abordar aqui nenhuma delas. Muito impessoal.

Vou contar uma história minha mesmo, de como um livro que eu li, sei lá, com nove?, dez anos?, fez toda a diferença. E aproveitar para contar a origem do nome desse blog que vos escreve.

Um dia, uma amiga me disse que o nome do blog era muito bom, que dava uma ideia legal de recomeço, de novos inícios, de mudança. Concordei, mas fui obrigada a confessar que a ideia não era de todo minha…tinha sido retirada e remodelada de um livro que li quando criança e que gostei muito: Minhas férias, pula uma linha, parágrafo, de Christiane Gribel, com ilustrações de Orlando. Livro que eu tenho e guardo até hoje, ali pertinho da Mafalda, do Riobaldo, do Capitão Rodrigo e da princesa Mia.

Guilherme tem 11 anos e acaba de voltar de férias. E logo em seu primeiro dia de aula se vê obrigado a transformar todas as suas
emoções de férias numa chata e extensa redação.

“Eu sabia que as férias de ninguém iam ser mais as mesmas na hora que virassem redação. É simples: férias é legal, redação é chato. Quando a gente transforma as nossas férias numa redação, elas não são mais as nossas férias, são a nossa redação. […] E além do mais, eu tenho certeza que a professora nem quer saber de verdade como foram as nossas férias. Ela quer só saber como é a nossa letra e se a gente tem jeito para escrever redação. Aqueles dois meses inteirinhos de despreocupações estavam prestes a virar 30 linhas de  preocupações com acentos, vírgulas, parágrafos […].”

Era exatamente esse o meu medo ao começar esse blog: transformar um dos meus melhores passatempos – a leitura – numa obrigação
insuportável. Ou transformar outra de minhas atividades preferidas – escrever – em outra obrigação insuportável. O medo era de me sentir obrigada a ter que escrever alguma coisa a cada leitura ou, pior, me sentir obrigada a ler alguma coisa nova para ter o que escrever!

Mas não foi nada disso. Acabou que o blog estimulou ainda mais minha vontade de ler. Nunca li tanto e tão prazerosamente como agora. Meu problema está sendo justamente o inverso: às vezes nem tenho tempo de escrever sobre tudo o que eu li! E me descobri gostando cada vez mais de escrever. E agora sei que é o que deve ter acontecido com Guilherme também, no fim das contas.

Nada contra as barbies, os carrinhos, as bicicletas. Tive todos eles. Mas ainda bem que tive também quem me desse Bruxa Onilda vai à festaO gatinho Nicolau e a turma do quintal, Histórias para acordar, as Fábulas de Esopo, Largatixas e Dinossauros

*Tive que reler o livro para escrever esse post e aproveito para dizer que livro bom é bom mesmo, não importa para qual faixa etária foi escrito. Me diverti horrores relendo o livro e ri de novo das várias sacadas inteligentes e gostosas.

O que? Minhas férias, pula uma linha, parágrafo

Quando? 1999

Quem? Christiane Gribel e Orlando

Páginas: 37 (lembro como se fosse ontem quando 37 páginas significavam
um mundo inteiro de leitura!)

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3 comentários sobre “Minhas férias, pula uma linha, parágrafo

  1. Gente, adorei saber o motivo do nome do blog! Jamais suspeitaria que era por causa de um livro infantil! E gostei da dica também. Vou procurar para presentear os pequerruchos essa semana!

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