A elegância do Ouriço

Pior do que não gostar muito do final de um livro é não gostar muito e ainda assim não conseguir pensar em nenhum final alternativo melhor, sabendo que por mais que seja triste, esse era mesmo o único final cabível da história.

Acho que é a primeira vez que sento pra escrever sobre um livro assim, logo depois de terminar de lê-lo. Normalmente deixo a história maturar um pouco em mim, fazer algum efeito, deixar passar a ressaca da leitura. Mas fiquei tão tristinha com esse que resolvi escrever logo duma vez…

A elegância do Ouriço é narrado por duas personagens que se alternam: Renée, a zeladora de um edifício para ricaços franceses, e a jovem Paloma, 12 anos, filha de um desses ricaços que habitam o edifício. As duas compartilham um segredo: são mais do que aparentam ser. E o são porque querem, porque preferem esconder sua real natureza por saber que elas não se encaixam nos padrões sociais pré estabelecidos.

Afinal, quem imaginaria que uma pobre zeladora seria uma devoradora de livros, fã de literatura Russa, capaz de desenvolver pensamentos afinados e afiados sobre a existência humana? Ou que uma rica garotinha poderia ser inteligente acima da média o suficiente para enxergar com clareza o que o pai diplomata, a mãe dondoca e a irmã metida a intelectual não conseguem, nem por um segundo, ao menos vislumbrar?

Mesmo morando no mesmo prédio por anos, só com a ajuda de um novo morador é que as duas, cada uma de seu esconderijo, começam a perceber o que a outra esconde.

Descobri que já existe um filme do livro…parece bom, mas ainda não vi!

Me lembrou um pouco os romances de Milan Kundera A insustentável leveza do ser e A lentidão por se tratar de um romance com muitas ótimas passagens e boas reflexões filosóficas. A diferença é que em Milan Kundera eu senti que ele já tinha algumas reflexões na manga e, para utilizá-las,  desenvolve uma história básica. Ou seja, os personagens estão ali como plano de fundo, como desculpa, como porta voz das reflexões de Kundera. Em Muriel Barbery sinto como se as reflexões surgisse exatamente dos personagens. São eles mesmos que pensam, que sofrem, que se escondem e que revelam pequenas pilulas de sabedoria.

Um leitura muito válida.

E tem mais: adoro livros em que a gente só entende o porquê do nome lá pro final ou no meio…Então, se não quiser spoiler, não leia o trechinho que separei:

“A sra. Michel tem a elegância do ouriço: por fora, é crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes.”

Terrivelmente elegantes.

O que? A elegância do Ouriço

Quando? 2006

Quem? Muriel Barbery

Páginas: 350

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3 comentários sobre “A elegância do Ouriço

    1. Voce pode acabar de ler pelo menos o paragrafo pra entender porque nao gostei do final, boba! E pode ler o post tambem porque nao sou do tipo estraga prazer!

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