Minhas tudo

Antes de viajar, estava num dilema danado. Levo ou não levo um livro para a viagem? O drama maior era a falta de espaço na mala. A ideia era levar a menor quantidade de bagulhos possível na ida para voltar com o máximo de bagulhos (leia-se: livros) na volta. Me disseram: “leva um livro que você possa desapegar e deixar lá depois”. Mas qual? Eu jamais conseguiria apenas me desfazer de um livro. Se levasse, teria que trazê-lo de volta. “Então não leva nada!”. E ficar 12 horas no avião sem nada pra ler? “Tá difícil então, hein?!”.  Sim, estava muito difícil. Conversa vai, conversa vem, descobri que muitos hostels tem um tal de book exchange. Você deixa um livro lá e pega outro no lugar. Uai, solução ideal!

O problema era ainda a grande chance deu me apegar ao livro que eu levasse e ainda sim trazê-lo de volta, ocupando um precioso espaço da minha mala.

Era.

Na livraria do aeroporto, consegui convencer minha mãe a me dar um livro de presente – coisa rara. Desde que ela descobriu que eu gostava, e muito, de ler por conta própria, parou de me dar livros ao léu. Só em aniversários e etc. Morro de inveja dos filhos que não gostam de ler e ficam recebendo milhares de livros de presente numa tentativa desesperada dos pais de incentivar a leitura – e acabei escolhendo um de crônicas. Leitura leve, para avião. Fora que já tinha lido crônicas do Mario Prata na Capricho, na época que eu ainda fazia testes de revistas, e tinha achado legal.

Quando comecei a ler, fiquei pensando: ou eu amadureci, ou o Mario Prata decaiu muito. Tendi a primeira opção, porque o livro reúne crônicas de várias épocas diferentes e, sinceramente, não gostei muito de nenhuma. Mas depois me dei conta que as crônicas da Capricho quem escrevia era o filho dele, Antonio Prata, de quem até hoje eu gosto muito…Esse meu problema em confundir nomes me dá muita dor de cabeça…

Mario Prata (esq.) é um. Antonio Prata (dir.) é outro, Stéphanie!

Cada crônica fala de uma coisa. Livro, roupão, guarda-chuva, binóculo. E cada uma delas traz em si a palavra que será o título da seguinte. Tipo assim: a crônica de título x fala sobre x e, no meio dela, cita y. E y sera o título da crônica seguinte. E assim por diante. Não sei se as crônicas já foram escritas com esse intuito ou se foram recolhidas de vários lugares e épocas e apenas selecionadas dessa forma. Provavelmente foram só selecionadas, pois tem crônicas que o autor diz ter 55 anos, outras ele tem 60 e depois volta aos 50. Sei que achei tudo uma grande forçação de barra. Tipo, por que falar sobre binóculos? Ou sobre Guarda chuvas? É tudo muito aleatório. Ok, não precisa ter necessariamente um motivo para falar sobre algo, mas é  preciso ao menos ter algo de fato a se dizer sobre esse algo, senão vira perda de tempo para o leitor.

Já desovei meu exemplar de Minhas Tudo aqui no hostel de Düsseldorf. No lugar, peguei  um livro não muito difícil em alemão…série de vampiro – não é Crepúsculo, esse eu já li – que parece ter um vocabulário mais a minha altura…Se eu estiver com o dicionário do lado, claro.

O que? Minhas TudoQuando? 2001Quem? Mario Prata

Páginas? 220

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