Ottifanten

Recentemente, consegui pela primeira vez ler um livro inteiro em alemão – pausa para aplausos. Um livro de tirinhos – pausa para muxoxos de “assim é fácil”.

Sim, tirinhas são bem mais fáceis. Afinal, não entendeu a frase? Dá uma olhada nas figuras. Capaz de fazer algum sentindo… E a leitura seguiu bem assim: não entendo muitas coisas, analisando os desenhos e compreendendo pelo contexto.

Porém, apesar de facilitar a leitura das frases, os desenhos abrem toda uma nova linha de leitura e de significados, com ironias, comparações, metáforas, que, muitas vezes, podem tornar a leitura ainda mais complexa e difícil para uma iniciante. Sem contar que, além de compreender o alemão, é preciso compreender o humor a alemão. E isso, amigos, por vezes se torna uma missão bem difícil… Porquê? Porque muitas delas simplesmente não têm graça.

Ou melhor, têm o mesmo nível de graça das piadas chatas do tio velho na noite de natal que pergunta “é pavê ou pra comer?”.

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“Olá!”. “Ah! A grama fala!”. “Idiota. Desde quando grama fala? Eu sou uma formiga”. “Ah tá!.”

Você pode me responder: “mas nós, brasileiros, também temos esse nível de piada – basta assistir “Os caras de pau” – e isso não impede que tenhamos também piadas um pouco mais elaboradas – tem, por exemplo, as tirinhas do Veríssimo, “As cobras”, que adoro!

Caso você utilizasse esse argumento, eu seria obrigada a concordar que, sim, você tem alguma razão. Mas acontece que tenho outros tipos de provas do estranho humor alemão.

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“Muito bem, crianças, qual de vocês mordeu o polvo?”

Além de descobrir depois que as tirinhas do Ottifanten eram bem populares e que seu autor era também muito conhecido por seus filmes e outros trabalhos de humor, assisti de perto alemães enfrentando sérias dificuldades em entender algumas piadas. Eis um exemplo:

Um belo dia, um dos integrantes da equipe que trabalhava no hostel onde fiquei hospedada por mais de um mês passa pela sala levando um hóspede muito, muito velho, para o quarto. Quando o alemão voltava para a recepção do hostel, um outro brasileiro, que estava na sala comigo, faz “a piada”.

– Nossa, esse daí não sobrevive a noite não! – falou, rindo, o brasileiro.

– … – é a resposta do alemão que não entendeu a brincadeira do brasileiro.

Ok, não é uma piada boa, mas todos aqui nesse recinto virtual conseguem entender qual seria a graça da piada, certo? Se não, faço com vocês o mesmo que fiz naquela noite: explicar para o alemão o que o brasileiro quis dizer.

– Ele quis dizer que esse cara é tão velho, mas tão velho, que é provável que ele morra antes de amanhecer…

– … – resposta do alemão, ainda sem entender.

-Foi uma piada, Markus.

– Hum…tá. Tenho que voltar para recepção…

Tudo bem, sou a primeira a admitir que a piada não tem a mínima graça, mas o ponto é que ele sequer foi capaz de entender! E não é por que ele é um cara chato e mal humorado, pelo contrário. Ele é muito divertido e bem humorado. Mas de humor alemão!

É difícil explicar, mas as coisas que achamos engraçados não são mesmo as mesmas ao redor do mundo… Mas também não vou sair falando mal do humor alemão – se é que é possível dizer de um “humor alemão”. Confesso que depois até comecei a achar bastante graça das tirinhas do ottifanten. Só não tenha certeza se a graça vinha da piada ou do fato deu finalmente estar conseguindo entender as frases…

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O que? Ottifanten

Quando? 1995

Quem? Otto Waalkes –  Sim, Ottifanten é uma brincadeira com o nome do autor e elefante. Algo do tipo, elafantes do Otto

Páginas? 140

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