Não me abandone jamais

Depois de muito tempo, está de volta aqui no pulaumalinhaparágrafo o post amigo. Sou eu, mais uma vez, tirando proveito da mão de obra amiga (obrigada, Laura!) para atualizar o blog…mas a justificativa é nobre. Há muito que eu havia lido e me deliciado com o livro de Kazuo Ishiguro e num dos primeiros posts do blog já havia anunciado a vontade de escrever sobre ele. A vontade passou e o post não veio, até que a oportunidade chegou por outras mãos…

***

Não me abandone jamais chegou até mim de maneira, no mínimo, inusitada. Fiz propaganda de um livro pra dona do blog (talvez ele ainda apareça por aqui) e ela quis emprestado. E falou pra eu escolher um também. Pedi um postado no blog, “não é meu, já devolvi”. Outro, “é meu, mas tá emprestado”. Mais um, “ixi, não é meu e já devolvi também”. Ok, desisto. Foi aí que surgiu a ideia: “vou escolher um pra você”. Veio “um dos melhores livros que eu li em 2010”.

Não me abandone jamais é um livro com poucas pistas, é difícil saber do que se trata pelo título, contracapa, orelhas e até mesmo pelo início da leitura. O que foi um grande desafio pra mim que tenho o prazer culpado de ler pequenos trechos em páginas pra frente.

Vai acontecer uma grande mudança na vida de Kathy H., ela deixará de ser “cuidadora” para tornar-se “doadora” e, por isso, ela decide contar sua história. Eu sempre tive a teoria de que inventamos nossas memórias a partir de um pedacinho de verdade e Kathy conta suas memórias com aquela visão de quem já sabe o final. Ela começa pela infância no internato de Hailsham, onde as situações ingênuas, tipicamente infantis, vividas por ela e por seus amigos, Ruth e Tommy, são cercadas por mistério e por aquela sensação incômoda de que tem alguma coisa errada nessa história. Eu acompanhei a história de Kathy quase como se estivesse sentada na frente da minha avó, do lado da fornalha de noite na roça.

É engraçado porque parece um livro tão leve de ler, com a narrativa tão fluida e interessante, e, ao mesmo tempo, tem ideias tão densas. Você vai lendo e se surpreende, de repente, com a profundidade da discussão.

A contracapa do livro termina com a frase “Ao descobrir a chave de seu destino, Kathy já não tem forças para mudá-lo”. Não concordei, acho que é muito mais que isso: Kathy nunca pensou em mudá-lo, essa possibilidade simplesmente nem passou pela sua cabeça. Como todos os outros “doadores”, ela foi criada e educada pra um objetivo e seguirá como foi determinado. Fiquei com uma grande pergunta no final: e até que ponto a gente faz isso? Há tantos caminhos imutáveis e regras inquebráveis nas relações, na convivência, no trabalho.

É um livro envolvente e impressionante, um dos melhores que eu li em 2012.

Se mesmo ao fim do post ainda ficou difícil entender do que exatamente se trata o livro, o trailer da adapatação cinematográfica pode ajudar. Mas se não ajudar, tanto melhor. A maior graça do livro está em se fazer entendido apenas ao longo de muitas páginas!

Capa, assim como o livro, misteriosaQuem? O nascido no japão, mas que se mudou para a Inglaterra aos cinco anos, Kazuo Ishiguro

O que? Não me abandone jamais

Quando? 2005

Páginas? 344

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4 comentários sobre “Não me abandone jamais

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