Morte súbita

Falando como uma garota que desde os 11 anos acompanhou toda a série Harry Potter com grande ansiedade, é difícil não fazer nenhum tipo de comparação ao ler o novo livro de J.K. Rowling: Morte súbita. E aí, o que vem a cabeça antes, durante e depois da leitura é: “não é Harry Potter”, o que se trata de uma crítica bem injusta, mas fazer o quê?

Até entendo que ela precisasse acabar de vez com a série. Carregar um mesmo personagem por tantos anos deve, de fato, ser um grande fardo, mas acho que Rowling perdeu ao menos uma grande chance de fazer uma piada qualquer com alguma referência à Harry Potter. Sei lá, se eu fosse ela teria feito algum tipo de brincadeira. Como se ela estivesse narrando uma história trouxa enquanto o mundo bruxo estivesse lá, intocado, com a magia correndo solta! Algum personagem podia sentir o frio dos dementadores ou ver um Ford Anglia voando pelos céus!

 

jk rowling

Esperava mais de uma pessoa que já teve o senso de humor de posar com uma vassoura

 

Mas não, não caberia fazer uma referência dessas na tão anunciada pela campanha de marketing “primeira incursão de Rowling na literatura adulta”. Sério, o que esse povo acha que é literatura adulta? Só porque os personagens agora falam palavrão, bebem, se drogam e, finalmente, beijam e transam virou literatura adulta? Porque o modo de narrar e desenvolver a história não mudou em nada, nem o nível de complexidade e profundidade.

Tudo bem, os personagens (milhares deles, os personagens brotam de todos os lados e é difícil lembrar de todos. Hábito adquirido em Harry Potter, deve ser) agora não jogam quadribol e nem têm como principal preocupação fazer a lição de casa de poções, mas, se quer saber, a tentativa de abordar problemas sociais soa tão pedante!

Talvez tenha a ver com o fato de Rowling não se decidir por nenhum tema social específico e resolver, simplesmente, falar de todos. Tem dependência química, tem bulling, tem gravidez na adolescência, pedofilia, abuso sexual, problemas com álcool e com obesidade. Tem racismo, preconceito, pais que batem em filhos, pais que negligenciam os filhos, filhos que se cortam, que se suicidam, que fumam, que bebem. Tem até a filha lésbica que sofre por seus pais não a aceitarem. Tem também infidelidade matrimonial e difamação na internet. E caso de Transtorno obsessivo compulsivo (TOC). E mais tantos outros que não devo estar me lembrando agora. Tudo no pequeno e pacato vilarejo de Pagford, que eu toda hora imaginava como Hogsmeade.

E aí resolveram chamar isso de literatura adulta. E olha que eu nem estou entrando na questão já problemática de dividir a literatura por faixa etária…

Claro, o texto flui. Quem já leu qualquer coisa da Rowling sabe que ela escreve bem e que as palavras soam agradáveis. Dá sim vontade de ir até o final e não é nenhum sofrimento passar por suas 501 páginas. Mas é só isso. Um livro bom. Nada mágico.

 

morte súbita fotoO quê? Morte súbita

Quem? J.K. Rowling

Quando? 2012

Páginas? 501

 

 

 

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4 comentários sobre “Morte súbita

  1. Eu tava muito curiosa de ler uma crítica sobre esse livro! Gostei demais do que você escreveu. “Um livro bom. Nada mágico.” Bom saber, que já chego sem tanta expectativa na leitura. Mas poxa, como coube tanto assunto assim no mesmo livro? haha

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