Sonata a Kreutzer

Antes de tudo, dá o play no vídeo e vai escutando enquanto lê…

Acho que, neste caso, faz sentido começar o post explicando o nome do livro. Sonata a Kreutzer  – que você deveria estar escutando se tivesse seguido a recomendação anterior – foi composta por Beethoven no início do século XIX para uma apresentação em Viena. A sonata, composta para ser tocada ao piano e ao violino, foi entregue com poucas horas de antecedência ao concerto para o violinista George Bridgetower. Mesmo sendo entregue em cima da hora e de dificílima execução, a performance de Bridgetower foi tão arrebatadora que Beethoven teria escrito na partitura: Sonata per un mulaticco lunattico – o violinista era mulato. Entretanto, por conta de alguns comentários inapropriados de Bridgetower acerca de uma conhecida de Beethoven, o compositor teria se irritado, pedido a partitura de volta e a rededicado a Rodolphe Kreutzer que, ironia das ironias, mesmo sendo um dos grandes nomes do violino da época, considerou-a impossível de ser executada e nunca a apresentou ao público.

Também é importante saber que Tolstói tinha uma relação muito intensa com a música. Algumas o perturbavam tanto que o levavam as lágrimas. Sobre Beethoven em particular, Tolstói chegou a afirmar que suas obras eram libidinosas. Não sei bem o porquê, mas ele parecia não gostar muito do alemão…no livro um andante da peça é citado como “belo, mas comum e nada novo, com variações vulgares e um final completamente fraco”.

Bom, agora ao tema do livro – ainda bem que a sonata tem quarenta e tantos minutos, você está escutando ainda?!

Neste livro Tolstói aborda, mais uma vez, o tema da infidelidade conjugal e do relacionamento matrimonial. Mas, diferentemente de Ana Karenina, aqui o autor russo condensa todo o drama em pouco mais de 100 páginas, praticamente num monólogo, no qual um senhor conta, numa viagem de trem, para outro passageiro, como chegou ao ponto de matar sua até então esposa.

É preciso lembrar que trata-se de um livro de 1890 e que Tosltói traz algumas ideias já não contemporâneas referentes ao papel da mulher na sociedade, mas, ainda assim é um tema atual. Por quê? Porque mostra como desde sempre nós discutimos as relações amorosas e conjugais e como desde sempre as percepções vão mudando e como nunca estamos muito satisfeitos e continuamos pensando e reformulando tais relacionamentos.

De maneira geral, gostei da novela, mas ela me faz perceber que gosto mesmo é dos grandes romances, longos, de fôlego, cheio de personagens numa intrincada rede de relacionamentos…

Não vou contar mais que é para não estragar a leitura de quem quiser experimentá-la. Vou apenas destacar algumas citações que achei pertinentes:

“Não, não existe [o amor]. Se admitirmos que um homem preferirá determinada mulher por toda a vida, esta mulher, segundo todas as probabilidades, preferirá um outro, e assim sempre foi e é no mundo”

“Amar a vida inteira um homem ou uma mulher é o mesmo que dizer que uma vela vai arder a vida toda”

“É surpreendente como acontece uma ilusão tão completa, no sentido de que a beleza é o bem. Uma mulher bonita diz tolices, e você ouve e não percebe as tolices, mas só palavras inteligentes. Ela diz e pratica ignomínias, e você vê algo simpático. E quando ela não diz tolices nem ignomínias, mas é bela, você no mesmo instante se convence de que ela é maravilhosa, inteligente e moral”

capa sonataO que? Sonata a Kreutzer

Quem? Leon Tolstói

Quando? 1890

Páginas? 105

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