Toda Poesia

Eu nunca tive uma relação muito próxima com a poesia. Não tanto quanto com a prosa, pelo menos. Mais recentemente que tenho me arriscado um pouco mais nesse campo… e digo arriscar por que é bem isso que ler poesia significa: destampar a ferida e deixa-la aberta para os possíveis cutucões dos poetas. A gente nunca sabe como começa e nem como vai acabar. Um poeminha singelo pode trazer aquela ponta de melancolia ou uma enxurrada de tristeza, vai saber…

 

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Sabe que eu acho o Leminski bonitão?!

 

Claro que a prosa também pode fazer isso (ô, se pode!), mas o que tenho percebido é que na poesia os significados são tão mais abertos e as possibilidades de interpretação tão mais amplas, que é muito mais fácil se machucar na queda. Isto é, se estamos num momento mais propenso a isso.

É mais ou menos assim: já tem tempos que acredito que as pessoas só leem aquilo que querem ler (assim como só veem o que querem ver). A gente projeta nossos gostos, vontades e sentimentos naquilo que estamos experimentando (uso “experimentar” para abarcar todo tipo de experiência estética). Se estamos num momento mais introspectivo, pensando muito na vida, nos rumos que as coisas tomaram, nas nossas escolhas e etc, é provável que vejamos essas questões refletidas nos personagens de livros que lemos, filmes que assistimos e músicas que ouvimos. Mas se estamos num momento diferente, de maior desapego, pensando menos e vivendo mais, é bem capaz que os personagens dos mesmos livros, filmes e músicas tragam uma conotação completamente diferente.

Daí o grande risco de escrever, né? A gente escreve “a”, querendo dizer “b”, fulano entende “c”, beltrano acha uma grande ofensa você ter vindo com “d”, enquanto ciclano acha lindo que você escreveu “e”…

(É por isso também que há tempos desacredito no poder da ironia para fins de contestação. Por exemplo, eu tenho a mais firme convicção que o pedestre tem preferência nas faixas de pedestres que não possuem semáforo (e nas outras também, mas aí já é outro exemplo). E por isso, indignada com a falta de respeito dos motoristas, digo, ironicamente, a um motorista que quase atropela uma pessoa que atravessa na faixa:” isso, passa por cima mesmo!”. Eu disse isso querendo que a pessoa se tocasse do absurdo que estava fazendo. Mas você acha que o motorista que tem a mais forte convicção que as ruas foram feitas para os carros, que os pedestres é que têm que se cuidar, e que ele tinha preferência, vai entender meu tom irônico? Não! Ele vai achar que eu o estava apoiando. Que eu estava corroborando a opinião de que a preferência era do motorista.)

Bom, isso tudo para dizer que o sentido das coisas está na leitura que fazemos. E a leitura que fazemos depende das referências e repertório que construímos durante a vida e que escrever (ou falar, argumentar, compor, roteirizar…) não é mesmo tarefa fácil.

E para dizer também que este talvez seja o meu post mais picareta, por que não vou analisar nada, não vou comentar nada. Vou dizer apenas: leia.

Por que qualquer coisa que eu escreva aqui não vai adiantar nada se você não ler. E também por que qualquer coisa que eu escreva aqui vai ser só a minha opinião e a minha impressão. E por que importante mesmo é a sua opinião e a sua impressão.

 

post

 

(eu pensei em colocar mais poemas, mas quais? Então deixei pra lá, vai ler o livro inteiro mesmo, não fica só nas citações não!)

 

Capa_toda_poesia(3)O que? Toda Poesia

Quem? Paulo Leminski

Quando? Essa reunião de toda a poesia de Leminski é de 2013, mas os poemas são das mais variadas épocas

Páginas? 421

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