Morangos mofados

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“Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra” (retirado do conto Aqueles dois)

Caso não tivesse morrido em 1996, seria hoje o aniversário de Caio Fernando Abreu. O autor estaria completando 65 anos. Bom, não que eu precise de ganchos para o pulaumalinhaparagrafo, mas porque não aproveitar a data para falar de um dos livros mais citados do escritor: Morangos mofados?

Trata-se de um livro de contos, publicado em 1982, e ganhador do prêmio de melhor livro daquele ano pela revista Isto É. Alguns dos contos já haviam sido publicados anteriormente em jornais e revistas e também já haviam ganhado prêmios.

O livro é dividido em duas parte: O mofo e Os morangos. A primeira parte traz histórias um pouco mais intimistas, tristes e, por que não?, pessimistas…Já em Os morangos, apesar de também contar com personagens cheios de problemas, os contos são mais alegres, pois de alguma forma os personagens conseguem dar uma reviravolta e encontrar um caminho através das dificuldades.

Bom, hoje resolvi fazer um post metonimíco

Em vez de falar de Morangos Mofados, vou falar apenas de um conto do livro: Aqueles dois – pertencente à segunda parte da obra.

A primeira vez que tive contato com Aqueles dois foi em forma de teatro. A peça, da Cia Luna Lunera, foi umas das mais lindas que vi. E na época nem sabia que se tratava de um conto de Caio Fernando Abreu. Só depois fui conhecer o conto e descobrir que fazia parte do livro.

Com o conto experimentei um sentimento que, para mim, apesar de lindo, é raro: o de me sentir extremamente feliz e satisfeita em apenas ver a alegria e felicidade alheia. Não que eu seja egoísta ou invejosa – ao menos, não só. Não é nada disso. Mas, normalmente, quando vejo uma coisa muito legal, fico querendo que essa coisa aconteça comigo também.

Só que em alguns raros momentos, senti uma empatia e uma felicidade tão grande por alguém em determinada situação que nem quis que a situação em questão acontecesse comigo. Eu já estava feliz só de saber que a possibilidade de ser assim tão feliz existia, mesmo que ela não estivesse acontecendo comigo naquele exato instante. Já me senti assim assistindo a um casamento, por exemplo. A felicidade e alegria estavam tão estampadas que era impossível não se sentir assim também – mesmo que a minha vida amorosa não estivesse lá aquelas coisas no momento.

E foi/é mais ou menos assim com Aqueles dois. Quando leio a história de Raul e Saul me sinto cheia e completa. Independente do que quer que seja.

Para quem se interessou, o conto pode ser lido, na íntegra, neste link.

morangos_mofadosO que? Morangos mofados

Quem? Caio Fernando Abreu

Páginas? 145

Quando? 1982

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Um comentário sobre “Morangos mofados

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