O apanhador no campo de centeio

Até hoje, para todos os posts amigos que publiquei, a única regra é que eu precisava também já ter lido o livro, mesmo que ainda não tivesse falado dele por aqui. Mas a vida já é tão cheia de regras, né? Regra pra dirigir, pra trabalhar, pra estudar… pra quê criar mais uma? Então hoje tem post amigo da Lorraine, sobre o livro “O apanhador num campo de centeio”, que eu nunca li, mas pretendo. Em breve.

***

A primeira vez que ouvi falar do livro foi lá em 2011. Estava em uma aula de História da Arte, no primeiro período do curso de comunicação, e lembro-me do professor dizendo que todos deveriam lê-lo antes dos 18 anos. Isso, confesso, foi o que me fez ficar curiosa quanto ao conteúdo do livro… mas o nome não me chamava lá muita atenção: “O apanhador no campo de centeio”.

Só conseguia imaginar uma história de um cara do campo com sua vida monótona de colher trigo. Mas a curiosidade é uma coisa engraçada, quando vem, não tem barreira que fique de pé. Derruba todos os nossos pré-conceitos e nos faz ir atrás do que é. E eu fui.

Na mesma semana fui até a biblioteca e peguei o livro. Comecei a ler, mas não consegui continuar. Era muito parado e eu não estava com paciência pra ler as reclamações do garoto.

Porque o livro começa com Caulfield apresentando a vida dele repleta de ponderações pessimistas e de como ele foi expulso do colégio. Toda a narração é feita pelo olhar do próprio personagem. Achei tudo muito chato. Não terminei o livro, mas prometi que o leria em outro momento.

Acredito que para cada livro que lemos, temos interpretações diferentes dependendo do momento em que o lemos. E naquele momento eu não estava mesmo interessada em terminar a leitura, pois minha primeira interpretação não me agradava. Por isso decidi dar um tempo. Deixei a história esfriar um pouco.

 

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Sabia que em Portugal o livro saiu com o nome:  À Espera no Centeio ou Uma Agulha no Palheiro ?

 

Já esse ano… quase metade da faculdade completa, novamente me deparo com o livro.

Havia acabado a aula e tinha que esperar duas horas até que uma reunião começasse. Não sabia o que fazer nesse tempo. Não queria companhia, não queria ficar no centro acadêmico ouvindo as histórias dos colegas. Não queria conversas. Então resolvi caminhar pelo campus, quando me vi a caminho da biblioteca. Assim, sem planos. Entrei.

Guardei minhas coisas e fui para a área de literatura sem nem saber o que estava procurando. Foi assim que me veio em mente a lembrança da promessa de terminar de ler O apanhador no campo de centeio. Peguei o livro e me enfiei na primeira cabine livre que encontrei. Só queria mesmo passar a hora. Comecei a ler o livro e, para minha surpresa, achei agradável. Estava realmente interessada na história do garoto.

A linguagem coloquial usada e as gírias ultrapassadas nem me incomodaram. E então me vi presa a um questionamento do Caulfield: ele queria saber para onde iam os patos que frequentavam um famoso laguinho do Central Park quando o inverno chegava. É claro que era uma metáfora e eu estava me esforçando pra entendê-la. Quase perdi a hora para a reunião. Fechei o livro e peguei para mim a dúvida do personagem, que me acompanhou até o final do livro.

Terminei a leitura no dia seguinte. Li com um fôlego curioso na esperança de encontrar lá na frente mais metáforas que ajudassem a elucidar a dos patos no inverno. Engraçado, não fiquei presa ao título do livro e em seu significado. Estava mesmo é com a dúvida dos patos agarrada em mim. E então, no final do livro, consegui encontrar o esclarecimento da metáfora e, de bônus, por ter ido dessa vez até o final (vivas!), o significado do título do livro.

Sintetizar o livro é impossível. Poderia dizer que é sobre um menino de 16 anos que reflete sua vida logo após ser expulso pela terceira-quarta-quinta vez do colégio. Mas não quero fechá-lo assim. Não é simples. Não dá pra dobrar sua história e por em uma caixinha. Não cabe. E como eu disse, existem momentos para uma leitura. E naquele momento a leitura que tive do livro foi diferente da primeira, impaciente, de dois anos atrás. Agora sei por que aquele meu professor nos aconselhou a lê-lo antes que fizéssemos 18 anos: antes que acabasse nossa adolescência. Porque o livro é sobre isso, sobre o tempo. Sobre passagem. Mudanças.

Inevitáveis, mas necessárias mudanças.

– Ei, Horwitz. Você conhece aquele laguinho no Central Park? Aquele lá pro lado Sul?

– Conheço o que?

– O laguinho. Aquele lago pequeno que tem lá. Sabe qual é, onde ficam os patos…

– Sei, mas o quê que tem?

– Bom, sabe aqueles patos que ficam nadando nele? Na primavera e tudo? Será que por acaso você sabe pra onde eles vão no inverno?

– Pra onde vai quem?

– Os patos. Será que você sabe, por um acaso? Será que alguém vai lá num caminhão ou sei lá o quê, e leva eles embora, ou será que eles voam sozinhos, pro sul ou coisa que o valha?

|o apanhador no campo de centeio – p. 83|

176922SZO quê? O Apanhador no Campo de Centeio

Quem? J. D. Salinger (Jerome David Salinger)

Quando? Originalmente, a história foi publicada em formato de revista, entre 1945 e 1946. Em 1951 foi editado e publicado como livro.

Páginas? 208

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3 comentários sobre “O apanhador no campo de centeio

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